Financeiro

Capitalizada, São Martinho segura estoques e reduz lucro em 53% no 1º tri


novaCana.com - 11 ago 2015 - 16:53 - Última atualização em: 12 ago 2015 - 14:36

Em uma situação oposta à de diversos grupos sucroalcooleiros que estão vendendo seus produtos na velocidade da produção para gerar caixa e arcar com os custos de safra, a São Martinho colocou em prática uma estratégia de aumento de estoques, à espera de preços mais altos na próxima entressafra (de dezembro a março).

Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho, a companhia espera retornos melhores “carregando os produtos de cinco a seis meses”. Ele afirmou, em uma conference call com analistas de mercado, que esse posicionamento é semelhante ao da safra passada e que o segundo trimestre da companhia na safra 2015/16 também deverá refletir esse comportamento.

Com isso, a sucroalcooleira, que possui quatro usinas em São Paulo e Goiás, atingiu R$ 28,3 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre, encerrado em junho, o que representa recuo de 53,4% na comparação com igual período da safra passada.

O nível de seus tanques com álcool anidro aumentou 106%, para 108,6 milhões de litros em comparação com o mesmo trimestre do ano-safra 2014/15. Já a armazenagem de álcool hidradato avançou 54%, para 59,4 milhões de litros, e a de açúcar subiu 48%, atingindo 227,044 toneladas, no confronto com os estoques do mesmo período da safra passada.

O volume vendido de açúcar e etanol (ATR equivalente) caiu 18,5% entre abril e junho desta safra, ante a temporada passada. Por esse motivo, a receita líquida da companhia encolheu 6,7%, alcançando R$ 476,7 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) ajustado aos ativos biológicos (canaviais), por sua vez, caiu 0,9%, para R$ 225,1 milhões.

Para Vicchiato, a perda de receitas e a queda do lucro foram compensados pela cogeração, que cresceu 41,8%, influenciada pela aquisição da Usina Santa Cruz, em julho passado.

Com relação ao etanol anidro e hidratado, Vicchiato disse que São Martinho prevê que a pressão nos preços, que recuaram 2,7% entre março e julho segundo o indicador Cepea/Esalq, é passageira. “Tivemos uma virada de ano com um estoque de passagem alto (cerca de 1,3 bilhão de litros). Mas o mercado deve ‘enxugar’ esse excesso durante o segundo semestre”, afirmou.

Açúcar ou etanol?

O diretor financeiro da companhia apontou que os preços de açúcar devem ter pouca alteração no ciclo 2015/16. “Não observamos espaço para o açúcar subir no curto prazo. Por isso, já realizamos hedge da maior parte de nosso produto (87% da cana própria, ou 68% do total)”, disse. A empresa comercializou até o final de junho 740 mil toneladas de açúcar a um preço médio de US$ 16,59 libra-peso, com dólar fixado em R$ 3,01. O primeiro trimestre desta safra teve mix mais açucareiro, com 51% para o adoçante e 49% para o biocombustível, ante 47% de açúcar e 53% na temporada passada. 

Isso fortaleceu o argumento de Vicchiato de que a rentabilidade do etanol não está mais atrativa do que a do açúcar. “Na ponta do lápis, a rentabilidade está mais favorável ao açúcar. Mas creio que muitas usinas estão mais alcooleiras neste momento por causa da necessidade de caixa para rodar a safra, já que o consumo de etanol aumentou muito”, avaliou.

Endividamento

Ao fim do trimestre, a dívida líquida da companhia subiu 3,8%, para R$ 2,66 bilhões na comparação com o registrado em 31 de março, aumentando de 2 vezes para 2,4 vezes sua relação no confronto com o Ebtida.
Quanto às dívidas em moeda estrangeira, a São Martinho conseguiu uma redução de 10,9% na comparação na mesma base de comparação trimestral. De acordo com Vicchiato, a tendência da empresa é diminuir esse endividamento, que aumentou com o impacto da aquisição da Usina Santa Cruz.

Cenário

A tática de estocar não é exclusividade da São Martinho e está sendo adotada nesta temporada por outros grupos capitalizados, a exemplo da Biosev e da Raízen, como já havia informado o novaCana.com.

Mais recentemente, a Guarani informou que, apesar de morosidade na liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos de ampliação de estocagem, estava provisionando recursos próprios de olho no futuro aumento dos preços na entressafra. 

A tendência de curto prazo (última quinzena), porém, mostrou que as usinas aumentaram o ritmo de vendas e diminuíram seus estoques. Isso porque boa parte do setor buscou recuperar os dias perdidos devido ao excesso de chuvas, especialmente no início do mês passado, como demonstrou o levantamento com o avanço expressivo de moagem divulgado esta semana pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). 

Felipe Vanini Bruning – novaCana.com

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