Financeiro

Biosev volta a registrar lucro trimestral, mas resultado da safra permanece negativo


NovaCana - 12 fev 2016 - 09:19

As estratégias da Biosev, que chamaram a atenção da agência de classificação de risco Fitch já em junho do ano passado, começaram a aparecer nos resultados trimestrais da companhia. Braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), a empresa reportou lucro líquido de R$ 162,80 milhões no terceiro trimestre do ano-safra 2015/16, correspondente aos meses de outubro, novembro e dezembro.

Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a empresa não fechava as contas no azul desde o segundo trimestre do ciclo 2013/14 (R$ 80 milhões). Com isso, a Biosev reverteu o prejuízo de R$ 86,24 milhões observado em igual intervalo de 2014/15.

Em entrevista ao Valor, o presidente da Biosev, Rui Chammas, atribuiu o lucro líquido a uma combinação de fatores, como melhorias operacionais (agrícolas e industriais), aumento dos volumes e dos preços de venda de açúcar e etanol e impacto positivo da variação cambial sobre o valor justo do ativo biológico (canaviais).

No trimestre anterior – de julho a setembro – a companhia reportou prejuízo de R$ 220 milhões. Observando também o resultado negativo obtido no primeiro trimestre, com prejuízo líquido de R$ 265,6 milhões, a companhia ainda amarga prejuízo de R$ 322,32 milhões (+16,4%) no acumulado da safra 2015/16.

Resultados financeiros do trimestre

No trimestre, a receita alcançou R$ 1,69 bilhão (+64,1%) e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 437,60 milhões (+30,8%). A margem Ebitda ajustado passou de 32,4% para 25,8% entre os trimestres.

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“O custo unitário subiu e houve também o pagamento de ações trabalhistas que já foram julgadas em última instância", justificou Chammas para o Valor Econômico. O custo unitário, de acordo com o executivo, subiu 17% no trimestre, para R$ 581 por tonelada processada, como reflexo do maior custo de aquisição de cana e de outros insumos, como diesel e produtos químicos.

Com relação à dívida líquida ajustada, esta atingia R$ 5,50 bilhões em 31 de dezembro, 3,1% menos na comparação com o trimestre imediatamente anterior, levando a alavancagem para 3,7 vezes. Do total do endividamento, 76,7% está em dólar.

“Em torno de 70% dessa dívida de curto prazo se refere a operações de financiamento de exportação e não nos gera dificuldades de renovação”, disse Chammas em entrevista ao Valor Econômico.

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O presidente da Biosev reconheceu que a elevação das taxas de juros no Brasil vem aumentando o custo financeiro da companhia. Segundo o Valor Econômico, nos nove primeiros meses do exercício 2015/16, a Biosev pagou R$ 312,9 milhões com juros de empréstimos e financiamentos, um aumento de 45,9% frente a igual intervalo da temporada anterior. “Temos uma ótima relação com os bancos credores. As negociações estão sendo feitas diretamente, sem intermediação de consultorias”, afirmou.

Já os investimentos realizados pela Biosev alcançaram R$ 236,68 milhões no terceiro trimestre de 2015/16 (-12,5%), sendo R$ 233,48 milhões para a área operacional e R$ 3,20 milhões para expansão.

Crescimento da moagem e produção

Ao longo da atual safra, as unidades da Biosev na região de Ribeirão Preto moeram 15,6 milhões de toneladas, um crescimento de 6,9%, em função principalmente do aumento de 6,4% da produtividade dos canaviais, que alcançou 76,6 toneladas de cana por hectare.

Já nas usinas do Mato Grosso do Sul (MS), a moagem atingiu a marca de 7,1 milhões de toneladas, um decréscimo de 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, essa performance é decorrente principalmente do maior volume de chuvas na safra atual e, consequentemente, da redução da área colhida em 18,8% no período. Esse efeito foi parcialmente compensado pelo significativo aumento de 19,5% da produtividade dos canaviais, que atingiu 84,8 ton/ha.

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Além disso, as usinas da Biosev – que controla 11 unidades industriais localizadas em quatro polos agroindustriais no Brasil – processaram 7,92 milhões de toneladas de cana-de-açúcar entre outubro e dezembro, 37,2% mais na comparação anual.

No acumulado do ciclo, a moagem alcança 28,57 milhões de toneladas (+6,5%) - o guidance da empresa vai de 29 milhões a 32 milhões de toneladas. No trimestre, foram produzidas 425 mil toneladas de açúcar (+22,7%) e 337 milhões de litros de etanol (+36,8%), com cogeração de 220 GWh de energia elétrica para venda (+0,8%).

A Biosev relatou ainda que os estoques de produtos para comercialização futura atingiam 372 mil toneladas de açúcar em 31 de dezembro (+1,3%) e 272 milhões de litros de etanol (-42,4%).

Já com relação à continuidade da moagem de cana em algumas unidades a partir de dezembro, Chammas disse ao Valor Econômico que os custos deixaram de ser classificados como ‘manutenção de entressafra’ e foram contabilizados como ‘custos de produção’, afetando o custo unitário. Por outro lado, houve uma compensação na linha de investimentos ‘manutenção de entressafra’, que recuou 83,2% no trimestre, para R$ 16,7 milhões.

A companhia também destacou ter realizado o hedge de preços para 1,63 milhão de toneladas de açúcar referentes à safra 2015/16, ao preço de 14,54 centavos de dólar por libra-peso. O volume equivale a US$ 368 milhões, com câmbio de R$ 2,965 por dólar.

Em relação à temporada 2016/17, cujo início oficial é em abril, já foram fixados os preços para 1,14 milhão de toneladas de açúcar, a 13,42 centavos de dólar por libra-peso. O volume representa 74% da exposição da companhia para a temporada.

A Biosev nasceu em 2009, a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar. Ela é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais localizadas em quatro polos agroindustriais no Brasil. A capacidade total de moagem é superior a 36 milhões de toneladas por safra.

novaCana.com
Com informações da Agência Estado e do Valor Econômico


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