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Atvos, da Odebrecht, propõe corte de 46% nas dívidas a bancos [atualizado]

Parte das pendências, que chegam a R$ 10,5 bi, será transformada em títulos da empresa


Folha de S. Paulo - 06 ago 2019 - 08:16 - Última atualização em: 07 ago 2019 - 10:40

Atualização (07/08, às 09h35): O título dessa reportagem e o texto abaixo foram alterados para incluir novas informações, obtidas após a entrega do plano de recuperação da Atvos à justiça.

A Atvos, braço de açúcar e álcool do grupo Odebrecht, apresenta nesta terça-feira (6) seu plano de recuperação judicial aos bancos credores.

Segundo reportagem do Valor Econômico, a proposta prevê um corte de 35% das dívidas com garantia real e de 75% das sem garantia. Já os R$ 3,4 bilhões de dívida extraconcursal serão alvo de conversas privadas, mas não há intenção de redução de valores. A dívida remanescente terá prazo de 15 anos, com custo de 115% do CDI, cinco anos de carência para amortizações e três para juros.

A dívida total da Atvos é de R$ 15 bilhões, mas R$ 350 milhões são com fornecedores e R$ 3,9 bilhões são com o próprio sistema Odebrecht – que, conforme o Valor, não serão negociados e o grupo não vota em assembleia de credores. Com isso, a proposta inicial da companhia prevê um corte de 46% da dívida financeira total, ou cerca de R$ 5,7 bilhões. 

Da dívida financeira, quase 80% pertence ao BNDES e ao Banco do Brasil. Assim, o poder de decisão sobre o plano está nas mãos destas instituições.

Além desses dois bancos, os principais credores da companhia são Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica Federal. As conversas com as instituições financeiras ainda estão no início e os termos da proposta podem mudar conforme as negociações avançarem.

A Atvos, contudo, foi obrigada pela legislação de recuperação judicial a apresentar seu plano na terça-feira.

Com as reduções previstas, as dívidas da Atvos com garantia real cairiam para R$ 623 milhões, enquanto as quirografárias ficariam em R$ 1,67 bilhão. De acordo com o Valor, não há previsão de corte para os compromissos extraconcursais.

Esses débitos teriam custo de 115% do CDI, carência de amortização de principal de cinco anos e de pagamento de juros de três. Ainda segundo a reportagem, os juros começariam a incidir logo após homologação do plano, porém, em vez de serem pagos, passariam a ser capitalizados ao principal (acruados).

Além disso, o pagamento doo juros seria feito em 48 parcelas trimestrais a partir do quarto ano e a amortização do principal seria em 40 parcelas trimestrais sucessivas, a partir do sexto ano. Desta forma, a Atvos teria um prazo total de 15 anos.

As dívidas cortadas, por sua vez, devem ser transformadas em um título de dívida ou na participação de uma companhia controladora da Atvos a ser criada.

Esses títulos só serão pagos se o negócio passar a dar lucro. Pela proposta, os dividendos da Atvos seriam divididos em 70% para os bancos e 30% para o grupo Odebrecht. Porém, se os prejuízos continuarem, os bancos não recebem. 

De acordo com o Valor Econômico, também há a intenção de que, nos três primeiros anos, um total de até R$ 100 milhões irrigue o sistema Odebrecht – desde que o caixa da companhia se mantenha em pelo menos R$ 300 milhões.

Atualmente, as unidades sucroenergéticas do grupo têm operado com ociosidade e, na safra passada, a empresa teve um prejuízo de R$ 1,5 bilhão

Conforme o jornal O Estado de São Paulo, a proposta da companhia ainda prevê um caixa mínimo consolidado de R$ 800 milhões a ser verificado anualmente, o que permitirá à Atvos seguir com seu plano de negócios e em equilíbrio financeiro.

O mesmo modelo – de corte da dívidas com conversão em instrumento de participação em lucros –, deve ser adotado pela holding da Odebrecht, que também possui dívidas com os maiores bancos brasileiros e está em recuperação judicial desde o início de junho. Esse processo, no entanto, é mais complexo e envolve uma dívida total de R$ 98,5 bilhões.

A holding da Odebrecht, chamada de ODB, tem até o dia 26 para apresentar seu plano de recuperação.

Raquel Landim
Com informações adicionais do Valor Econômico e do jornal O Estado de São Paulo


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