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Financeiro

Atvos acelera pedido de recuperação e processo pode alcançar grupo Odebrecht em semanas


O Estado de S. Paulo - 29 mai 2019 - 14:21 - Última atualização em: 30 mai 2019 - 10:00

A Atvos, braço sucroenergético do Grupo Odebrecht, acelerou o pedido de recuperação judicial que pode ser entregue à Justiça a partir desta quarta-feira, puxando uma fila que tem potencial de alcançar até a holding.

A Atvos foi a primeira empresa do grupo a ter sua dívida reestruturada, em 2016, em uma engenharia que envolveu aporte do grupo de R$ 6 bilhões garantido por ações da Braskem. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil estavam entre os maiores credores.

Na época, a dívida somava R$ 11 bilhões e o grupo acreditava que ao sanar esse problema conseguiria recompor o grupo depois da prisão de Marcelo Odebrecht, em 2015.

Na mira

Agora, a própria holding entra na rota de colisão e pode ter de partir para a recuperação judicial nas próximas semanas ou dias, de acordo com pessoas próximas ao assunto.

A dívida atual da Atvos soma cerca de R$ 13 bilhões e o valor devido por todo o grupo já estaria perto R$ 100 bilhões.

Não há clareza se todo esse montante poderia entrar em eventual recuperação. A operação, contudo, tem potencial de superar os R$ 65 bilhões que a Oi apresentou em seu pedido de recuperação judicial, até então o maior processo da América Latina.

Gatilho

A situação da Atvos se complicou após a decretação da ordem de execução de penhora de 65% da produção da empresa, expedida no final da semana passado pelo Tribunal de Justiça, ou seja, em segunda instância.

A percepção é de que, como a Atvos trabalha com um caixa apertado, a destinação desse porcentual da produção para o fundo norte-americano Lone Star – que entrou com o pedido – deixa poucas opções sobre a mesa para a empresa.

Procurada pela reportagem, a Atvos não retornou. Já a Odebrecht S.A. informou que “está empenhada em implementar ações para a estabilização financeira do grupo e, assim, criar bases para a retomada do crescimento de seus negócios”.

A Odebrecht diz ainda que como pilar do planejamento estratégico do triênio 2019-2021, a reestruturação financeira objetiva “a adequação da dívida à capacidade de geração de caixa da holding e de algumas de suas empresas controladas e busca a eficiência e excelência operacional de outras empresas do grupo que estão em fase de crescimento”.

“Neste sentido, como é de conhecimento do mercado, a Odebrecht e suas empresas controladas estão em negociação com os respectivos bancos e mercado de capitais de seu relacionamento. É uma operação complexa, mas as partes estão focadas em uma solução satisfatória para todos”, cita em nota.

Cynthia Decloedt