Financeiro

Ações da Raízen e da Petrobras devem valorizar com PEC, acredita Credit Suisse


Suno Notícias - 11 jul 2022 - 09:06

Existe um “lado favorável” para o mercado acionário em relação à PEC dos Benefícios? A proposta, que teve a votação adiada para a próxima terça-feira, 12, na Câmara dos Deputados, também é conhecida como PEC Kamikaze e concede uma série de auxílios sociais às vésperas das eleições de outubro.

De acordo com os analistas do Credit Suisse, mesmo com os riscos fiscais que estão no radar dos investidores, a Petrobras e a Raízen são duas empresas que podem ser beneficiadas com a aprovação.

O Credit Suisse observa que mecanismos da PEC dos Benefícios, em conjunto com a outra proposta que traria estímulos tributários aos biocombustíveis, podem trazer um certo alívio ao setor de produtores de etanol, o que incluí a Raízen.

Os analistas ressaltam que a proposta estabelece que o regime fiscal será diferente para biocombustíveis, com vantagem em relação aos fósseis. O objetivo seria, portanto, reduzir o impacto das medidas que foram aprovadas recentemente sobre a diminuição dos impostos sobre gasolina e diesel, que também afeta a competitividade com biocombustíveis, como o etanol.

A PEC dos Biocombustíveis prevê menor incidência de impostos sobre o etanol e o biodiesel. Conforme apresentação do senador Fernando Bezerra (MDB-PE), autor do texto, a PEC não traz definições de tarifas de ICMS a serem adotadas pelos estados. Contudo, a matéria contará com “um comando constitucional para que a Lei Complementar que venha regular isso possa assegurar a competitividade dos biocombustíveis”.

Portanto, para os analistas, a Raízen deve ser capaz de entregar o valor de guidance para a safra de 2022/23, que está entre R$ 13 e R$ 14 bilhões, alinhada com a projeção do Centro-Sul, que está em R$ 13 bilhões.

“Nos preços atuais, enxergamos a Raízen negociando em um múltiplo consolidado de 4,3 vezes a 4,7 vezes a relação entre o EV/Ebitda [valor da firma sobre o Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] para 2022 e 2023 e este número indica um EV/Ebitda de 3 a 3,3 vezes o EV/Ebitda para o negócio de açúcar e etanol, bem abaixo da média histórica de 5,5 vezes do setor”, destacam os analistas.

Já em relação à Petrobras, o Credit Suisse pontua que o lado positivo seria a mitigação de risco de um ataque à política de preços da companhia, além de isolar a petroleira de discussões políticas. “Em algum momento também existiu um receio de aumento de imposto nos produtores de petróleo, mas esta possibilidade parece descartada e reforça a governança da Petrobras”, diz o texto.

Os analistas lembram ainda que os custos da PEC dos Benefícios alcançam R$ 41,25 bilhões fora do teto de gastos, mas que se presume um preço de barril de petróleo US$ 50 acima do esperado anteriormente. Só por esse fator, uma receita adicional próxima de R$ 13 bilhões por mês deve ser alcançada, acima da projetada (ou R$ 160 bilhões ao ano).

O valor viria de aumento em royalties (R$ 2 bilhões ao mês), incremento na participação especial (R$ 2 bilhões ao mês), impostos da Petrobras (R$ 5 bilhões ao mês) e participação do governo no dividendo da Petrobras (R$ 4 bilhões ao mês).

O Credit Suisse classifica a Raízen como outperform, ou seja, desempenho acima da média do mercado, com preço alvo de R$ 8,50 e potencial de alta de 87%. As ADRs da Petrobras possuem a mesma classificação. Os ativos PBR (atrelados ao PETR3) têm o preço alvo de US$ 17, com upside de 47%.

Victória Anhesini

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