Indústria

Etanol e açúcar mais caros animam indústria na região de Sertãozinho


Revide - 18 fev 2016 - 13:39

O prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez (PSDB), disse, em 2015, que o município sairá da crise antes do que o Brasil. A previsão parece começar a se realizar graças à volta da saúde do setor sucroenergético, base da economia local. No último trimestre do ano, as usinas começaram a vender etanol com o preço 60% mais caro para as distribuidoras de combustível, enquanto isso, o açúcar também apresentou ganhos de 73%, segundo o Cepea.

Além disso, três companhias do setor, que têm cotação na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), tiveram valorização no último ano. As ações da Biosev cresceram 2,5%, da São Martinho aumentaram 52%, e as da Tereos cresceram 345%.

E isso começa a animar o presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR), Paulo Gallo.

“Iniciamos 2016 com perspectivas melhores do que em anos anteriores. O aumento dos preços do etanol ao produtor, bem como os preços internacionais do açúcar, criaram ao menos uma inversão de tendência observada até 2015, em que sempre havia um viés de queda nestes preços, comprometendo a geração e o fluxo de caixa das empresas”, aponta Gallo.

E a tendência é melhorar, já que a consultoria FCStone estima que a próxima safra de cana-de-açúcar, que começa na metade do ano, seja 3,2% maior, alcançando 619 milhões de toneladas. A produção deve ser de 34 milhões de toneladas de açúcar (10,8% a mais do que na safra atual), e 28 bilhões de litros de etanol (aumento de 2,1%).

“O preço do etanol deverá ser muito mais regulado pela relação entre oferta e demanda. O açúcar deverá, provavelmente, oscilar com menor intensidade, mantendo patamares também atraentes nos próximos meses. Em resumo, esta safra deverá ser melhor em termos de remuneração do que as anteriores, mas ainda há muito espaço para melhorias”, completa.

Ajuda do mercado

De acordo com o governo da Venezuela, a atual cotação do barril do petróleo, que opera em baixa, na casa dos US$ 30, fez com que o país arrecadasse em janeiro US$ 4 milhões a menos com as vendas de petróleo, do que no mesmo mês do ano anterior – de US$ 81 milhões para US$ 77 milhões.

O país vizinho não é o único que sofre com a baixa valorização do produto. Rússia e Arábia Saudita, os maiores produtores de petróleo no mundo, vivem crises políticas internas, e muitos especialistas apontam que fatores econômicos, influenciados pelo preço baixo do produto, sejam o motivo.

Tanto que, na última segunda-feira, 15, esses países, mais o Qatar, selaram um acordo para o congelamento da extração do petróleo para fazer os preços aumentarem no mercado internacional.

Mesmo assim, Gallo acredita na competitividade do produto para que o setor sucroenergético volte a ganhar espaço. Não é apenas uma posta, já que os resultados começam a aparecer.

“No caso do Brasil, a Petrobras, em um cenário diferente do atual, já teria, provavelmente, reduzido o preço da gasolina, mas não deve fazê-lo em função de seu agudo desequilíbrio presente de caixa. Não me parece que possa haver redução no preço da gasolina no curto prazo, e, talvez, os preços do petróleo venham a se recuperar antes disso, o que deverá manter a competitividade do etanol nos patamares de hoje”, vislumbra.

Leonardo Santos


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