O “mercado de papel” vai ganhar uma importância sem precedentes no cotidiano do setor sucroenergético a partir do RenovaBio. Os chamados CBios, ou créditos de descarbonização, serão comercializados em bolsa de valores e abrem um novo mercado – e uma nova fonte de receita para as usinas

NovaCana 25 jul 2018 - 12:28

Com a estrutura do RenovaBio melhor definida, é preciso compreender as implicações e os impactos que o mercado de CBios terá sobre usinas e distribuidoras. Afinal, estes créditos representam um acréscimo de receita para as usinas – que serão beneficiadas de forma proporcional à sua eficiência ambiental – e, também, um novo elemento que pode afetar o preço dos combustíveis nas bombas.

Dada a importância do tema, o NovaCana Ethanol Conference 2018 – que acontece em São Paulo (SP), nos dias 03 e 04 de setembro – convidou Paulo Costa, analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia (MME), para falar sobre compra e venda de CBios. Ele dará a visão do governo sobre como este mercado deve funcionar e como estão avançando as negociações e estratégias para colocar este mercado em pleno funcionamento.

Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em cogeração de energia no setor sucroenergético pela mesma instituição, Paulo Costa atua no MME desde 2008 – além de analista, é coordenador do Departamento de Biocombustíveis.

O profissional, que também é analista de valores mobiliários, participou de todo o processo de desenvolvimento do RenovaBio, bem como do desenvolvimento do conceito dos créditos de descarbonização.

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Para vender CBios, é preciso emiti-los

O lucro das usinas com a venda de CBios depende da quantidade de créditos que a unidade pode emitir e do valor dos CBios na bolsa de valores.

Para poder gerar CBios, as usinas precisam passar por um processo de certificação que resultará em uma nota de eficiência energético-ambiental. A nota, dada pela RenovaCalc, é multiplicada pelo volume vendido por ela, confirmado por nota fiscal. Cada CBio corresponde a uma tonelada de carbono que deixa de ir para a atmosfera com a utilização do biocombustível, na comparação com seu correspondente fóssil.

Recentemente, o novaCana apresentou o impacto do RenovaBio na receita das companhias, com base nas características de uma usina que representa uma média do setor. Foram considerados aspectos agrícolas, industriais e de distribuição para o cálculo da nota.

Aplicando o valor de venda dos biocombustíveis para as distribuidoras e três cenários diferentes para os preços dos CBios, foi possível apresentar a variação de receita obtida com três biocombustíveis diferentes: etanol hidratado, etanol anidro e biodiesel.

Por ter o menor preço de venda nas usinas, o etanol hidratado é o combustível que mais será impactado pelo mercado de CBios. Neste caso, o aumento de receita pode variar de 1,58% a 13,59%.

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Os diferentes cenários de valor por CBio – R$ 17, R$ 34 e R$ 146 – foram calculados pelo MME e apresentados como parte dos estudos que determinaram a meta de descarbonização do programa, de 10,1%.

Além disso, o novaCana também calculou o impacto do RenovaBio por litro de biocombustível produzido. Mantendo o exemplo do etanol hidratado, a receita das usinas poderá saltar de R$ 1,527 por litro (preço médio pago pelas distribuidoras em 2017) para até R$ 1,734, no cenário otimista dos preços de CBio – uma diferença de R$ 0,207.

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A programação completa do NovaCana Ethanol Conference está disponível aqui e o cadastro para participar do evento pode ser feito aqui.

novaCana.com


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