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Usinas de açúcar e álcool de Alagoas passam por crise


Globo Rural - 14 out 2013 - 09:33 - Última atualização em: 12 set 2014 - 09:32

A crise enfrentada nas usinas de açúcar e álcool de Alagoas (SE)  acontece porque as empresas estão endividadas e algumas não vão nem moer a safra. No Nordeste, a safra da cana vai de setembro a março. Em Alagoas, existem 24 usinas de açúcar e álcool. Neste ano, quatro delas não estão funcionando. O motivo é o crescimento das dívidas com fornecedores e trabalhadores. De mais de sete mil, pelo menos dois mil produtores ainda não receberam os pagamentos.

"É lamentável que esses fornecedores ainda continuem sem receber da safra passada. Ainda tem alguns resíduos da safra 2011/2012, onde a matéria-prima do fornecedor de cana entra na indústria a risco zero", diz Antônio Rosário, diretor da Associação dos Plantadores (Asplana).

A crise das usinas já começa a provocar desemprego na Zona da Mata de Alagoas. A Federação dos Trabalhadores informa que este ano cerca de 15 mil cortadores de cana deixaram de ser contratados. "Quem tem prejuízo maior com toda essa dificuldade toda são os trabalhadores, porque eles deixam de ganhar seu dinheiro e deixam de sustentar suas famílias", aponta Antônio Torres, secretário da Federação dos Trabalhadores .

O Ministério Público do Trabalho diz que as dívidas das empresas com os empregados vêm se acumulando. Para cada usina em Alagoas, há, pelo menos, um processo investigatório tramitando no Ministério Público do Trabalho. Só este ano, mais de 100 denúncias trabalhistas chegaram ao órgão. O procurador do Ministério do Trabalho, Rodrigo Alencar, confirma a informação. "Nós temos verificado com relação a algumas usinas o atraso no pagamento de salários, o descumprimento de normas de saúde e segurança no trabalho. Então, todas as medidas no sentido de garantir o cumprimento das normas trabalhistas nós procuramos tomar."

O representante do Sindicato das Usinas de Alagoas fala das causas dessa situação e pede mais apoio do governo ao setor. "O etanol está perdendo competitividade perante a gasolina porque os preços da gasolina não correspondem à realidade dos custos de produção da Petrobras e, muito menos, os custos de importação que ela está operando no mercado internacional. A proposta que está sendo estudada é exatamente o Nordeste ter um tratamento diferenciado do governo federal no que diz respeito à rentabilidade do etanol. Essa é a única maneira de, momentaneamente, se resolver o problema, principalmente na região Nordeste, que está sofrendo de maneira muito forte os efeitos da seca que se abateram de dois anos para cá", explica José Roberto Toledo, conselheiro do Sindicato das Usinas.

Na quinta-feira (10), o governo editou uma medida provisória para ajudar o setor. Os fornecedores podem obter um benefício de R$ 12 por tonelada de cana. A ajuda para as usinas é de R$ 0,20 por litro de etanol.

Confira a reportagem produzida pelo Globo Rural sobre o tema.


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