Política

Workshop do CTBE sobre RenovaBio aborda modelagem que definirá as metas do programa

Aproximadamente 120 pessoas estiveram presentes no auditório do CTBE; modelagem econômica do programa “está praticamente pronta”, sugeriu Miguel Ivan Lacerda, do MME


CTBE - 02 out 2017 - 10:44
"Temos que considerar tanto os ambientalistas quanto as grandes empresas, que geram emprego e riqueza para o país", Miguel Ivan Lacerda (MME)

Ao mesmo tempo em que a aprovação do RenovaBio – marco legal dos biocombustíveis no Brasil – parece estar cada vez mais próxima de se concretizar, representantes de diversos pontos da cadeia de biocombustíveis estiveram reunidos para discutir a modelagem econômica que fará parte do programa e auxiliará na composição das metas de descarbonização.

Além de empresários, pesquisadores e representantes das mais importantes instituições ligadas aos combustíveis no país, também estiveram presentes o diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Miguel Ivan Lacerda, e o coordenador geral de etanol do MME, Marlon Arraes. O evento aconteceu na última sexta-feira (29), no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a modelagem econômica é uma ferramenta formada por um conjunto de modelos interativos relativos aos biocombustíveis e seus substitutos fósseis, considerando aspectos econômicos, produtivos, energéticos e ambientais. Ou seja, enquanto a RenovaCalc funciona como uma calculadora que definirá quantos CBios as companhias irão emitir, a modelagem seria uma calculadora ainda mais complexa, que dará o indicativo das metas totais e anuais para o Comitê de Monitoramento de Biocombustíveis e Combustíveis (CMBC), conforme previsto no fluxograma do RenovaBio.

 “Precisamos olhar muita coisa. Existem balizadores para a definição dessa meta, pois a sociedade não pode ter os combustíveis renováveis a qualquer preço”, afirma Arraes. Em outro momento, Lacerda complementa: “O modelo que nós desenvolvemos – assim como a calculadora – é robusto, mas ele ainda pode ser melhorado.

“Quando cheguei hoje de manhã, estava confiante da aprovação do RenovaBio, mas agora, no meio do evento, essa confiança aumentou muito”, Miguel Ivan Lacerda (MME)

Entre as instituições que fizeram apresentações no workshop estavam CTBE, EPE, Datagro, ANP, Finep, Unica, Mapa, Cade, Mahle e Embrapa. Cada uma delas apresentou modelagens econômicas que acreditam ser capazes de suportar as demandas de um programa como o RenovaBio. “A modelagem econômica do programa está praticamente pronta. Faltam pequenos ajustes”, acrescentou Lacerda.

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Precisamos trocar o “ou” pelo “e”

O engenheiro Ricardo Abreu, diretor da Mahle, explicou que a demanda por combustíveis líquidos tende a permanecer alta no longo prazo. “Ela (a demanda por combustíveis) ainda vai existir por muito tempo. A frota de veículos a combustão ainda será dominante até 2040, respondendo por 75% da frota”, demonstrou em projeções.

Os dados foram apresentados durante a explicação sobre o futuro dos elétricos e híbridos na frota brasileira. Para Abreu, essa constatação representa uma gigante oportunidade para toda a cadeia de combustíveis. “Não apenas a energia solar ou o etanol. Mas energia solar e etanol e biodiesel e outras. Precisamos trocar o ‘ou’ pelo ‘e’ o quanto antes”, defendeu.

Para Abreu, o RenovaBio tem papel decisivo na manutenção de uma frota que emita cada vez menos Gases de Efeito Estufa (GEE), seja por meio de aumento da proporção de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, seja pelo desenvolvimento de motores puramente movidos a etanol aliados a motores elétricos. A solução está no uso equilibrado das matrizes energéticas.

Nesse mesmo caminho, a cooperação entre os atores envolvidos no RenovaBio e no Combustível Brasil (iniciativa do Ministério de Minas e Energia) “precisa acontecer e está acontecendo”, como destacaram Plinio Nastari, presidente da Datagro, e Arlindo Moreira, que integra a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Gonçalo Pereira, que dirige o CTBE desde novembro de 2016 e instituiu os workshops estratégicos em março de 2017, considera fundamental que encontros como esses continuem acontecendo. “Hoje, não há questão sobre o RenovaBio que não carregue consigo o nome do CTBE. Nós estamos envolvidos profundamente com o programa, desde a calculadora até a modelagem econômica, social e ambiental”, destacou. “Nós vamos continuar apoiando programas de estado que acreditamos, com base em fatos, serem bom para o país”.

Erik Nardini Medina
Com informações adicionais e edição novaCana.com


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