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Política

Usineiro, presidente da Agrishow critica ausência do setor no evento


Folha de S. Paulo - 28 abr 2014 - 08:49 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O empresário Maurilio Biagi Filho, presidente da Agrishow, feira do agronegócio que começa nesta segunda-feira (28) em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), cobrou uma presença mais forte e atuante do setor sucroalcooleiro no evento, o maior do gênero no país.

"O setor nunca fez a parte política que deveria ter feito, nunca teve um estande institucional. O carro-chefe da Agrishow é o setor de grãos, mas você olha no entorno de Ribeirão e só vê cana-de-açúcar", afirmou Biagi Filho, que neste sábado (26) atendeu à imprensa para falar sobre a feira.

De acordo com ele, os visitantes do evento vão à Agrishow em busca de trocar ideias e inovações, e seria interessante que o setor se fortalecesse para atender esse público.

A região de Ribeirão Preto concentra as principais usinas do setor, que nos últimos anos têm feito muitas críticas ao governo federal.

Em entrevista à Folha, Elizabeth Farina, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), afirmou que o mercado sucroalcooleiro vive a maior crise da história por consequência da política econômica adotada pela atual presidente.

Dados da Unica apontam que 44 usinas fecharam nas últimas cinco safras e das usinas atuantes, 33 estão em recuperação judicial e 12 não irão moer cana este ano.

NÚMEROS

Segundo o presidente, alguns números deste ano já superam a edição passada da Agrishow

No total, são 800 expositores –no ano passado foram 790. A organização espera receber cerca de 170 mil visitantes –em 2013 foram 150 mil.

Na edição anterior, foram gerados negócios em torno de R$ 2,6 bilhões. Este ano, Biagi Filho não arrisca cravar se o faturamento será superado.

"Há expectativa [de crescimento]", mas ele não fala em números.

CENÁRIO POLÍTICO

"Este ano é de eleição. É impressionante o número de políticos confirmados [na feira]", afirmou o presidente da Agrishow.

O senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato à presidência da República, confirmou a presença na Agrishow na quarta-feira (30).

Na abertura, estão confirmados o governador, Geraldo Alckmin (PSDB), a secretária de Estado da Agricultura, Mônika Bergamaschi, e os ministros Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) e Mauro Borges (Indústria e Comércio Exterior).

Biagi Filho afirmou ainda que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo paulista, deve comparecer à feira no dia 2 de maio, último dia da Agrishow.

Outro pré-candidato ao governo paulista, Paulo Skaf (PMDB), presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), vai inaugurar na terça-feira (29), às 15h, uma escola móvel de simulação de operação em colhedoras de cana-de-açúcar, que será gerida pelo Senai, um órgão da federação.

Na manhã deste sábado (26), ele recebeu um e-mail da presidente Dilma Rousseff, que confirma a ausência dela na Agrishow deste ano. Ela será representada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller.