Política

Setor sucroenergético do Nordeste quer abrir diálogo com o Governo Federal


Diário de Pernambuco - 24 ago 2020 - 08:30

Está prevista para a próxima quarta-feira (26), uma reunião do setor de açúcar e etanol do Nordeste com o Fórum Nacional Sucroenergético e com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O encontro é liderado pelo presidente do Sindaçúcar-PE e presidente da Novabio, Renato Cunha, com o objetivo de tratar sobre a taxação do etanol importado e da cota de açúcar adotada pelos Estados Unidos.

As entidades querem debater acerca de possível acordo bilateral entre o Brasil e os EUA, pleitear que haja um equilíbrio mais consistente nos negócios internacionais entre o etanol dos EUA, exportado para o Brasil, e como contrapartida, propor revisão do mercado de exportações de açúcar brasileiro para aquele país.

“Os EUA vêm enviando etanol ao Brasil, tomando espaço que atinge a cerca de 69% da produção interna do álcool no Nordeste. Essas remessas de etanol de milho americano, já subsidiado na sua origem, constituem um grande desestabilizador dos empregos em mais de 240 municípios onde se localiza o setor de cana no Nordeste”, afirma Cunha.

Ele ainda relata: “No período de 2014 a 2016, chegavam por ano, 552 milhões de litros de álcool – esse número já representava cerca de 25% da nossa produção. No último ano, nas regiões Norte e Nordeste esse dado triplicou, para cerca de 1,5 bilhão por ano ou quase 70% de nossa produção”.

Segundo dados do setor, o Brasil alocou cotas de 600 milhões de litros com isenção de tarifa para o etanol importado no período de 2017 a 2019, tendo aumentado a isenção para 750 milhões em 2019, com prazo que irá expirar em 31 de agosto próximo.

O setor espera que a cota não seja renovada e que se restabeleça a tarifa de 20%, determinada pelo Mercosul. Os norte-americanos querem aumentar o volume da isenção que, segundo Cunha, já equivale a sete vezes mais do que a cota de 150 mil toneladas de açúcar referente às exportações de açúcar para os EUA, rateada entre as usinas do Nordeste.

“É preciso que essas relações evoluam para uma agenda mais equilibrada, como já existe nas relações dos EUA com o México e também com a República Dominicana – país que detém uma cota preferencial de exportação de açúcar de 185 mil toneladas, portanto maior do que a cota atual de 150 mil toneladas do Brasil”, afirma Cunha, que segue: “Os EUA podem resolver o problema de espaço para o etanol americano caso incrementassem seu mercado interno, utilizando uma mistura de etanol de 15% ao invés de 10%, mas não conseguem resolver essa questão lá dentro de seu país”.

As atuais exportações de açúcar representam apenas cerca de 2% do consumo americano da comodity. “O Brasil produz cerca de 46 milhões de toneladas de açúcar e exporta cerca de 31 milhões de toneladas. Para um grande exportador como o nosso País, uma cota de apenas 150 mil deveria ser objeto de uma revisão. Estamos sempre querendo negociar em bases equilibradas e mais equitativas, o que permitirá maior fluxo de negócios entre as partes”, conclui.