Política

Perspectiva de corte em meta do RenovaBio chega a até 14 milhões de CBios

Pandemia e suas consequências podem cortar pela metade a meta inicialmente estabelecida para o programa


Money Times - 27 mai 2020 - 11:54 - Última atualização em: 27 mai 2020 - 14:52

O Ministério de Minas e Energia (MME) deve iniciar uma chamada pública para discutir novas metas para o RenovaBio na segunda metade de junho. Anteriormente, o ministério já havia anunciado que o volume de compras compulsórias pelas distribuidoras de combustíveis em 2020, de 28,7 milhões de créditos de descarbonização (CBios), será reduzido.

Na visão das distribuidoras, o governo deveria suspender o programa, uma vez que a pandemia por coronavírus reduziu drasticamente o volume de comercialização de gasolina e etanol, o que impacta diretamente o volume de CBios emitidos pelas usinas.

A BR Distribuidora foi a primeira a defender essa possibilidade, argumentando que o setor não conseguiria alcançar suas obrigações. Há dúvidas se as usinas vão conseguir ofertar volume suficiente dos papéis e se as distribuidoras vão ter recursos para comprá-los.

A aquisição obrigatória dos créditos é correspondente à participação das distribuidoras no mercado de combustíveis fósseis no ano de 2019. Porém, o consumo de combustíveis despencou desde março, afetando tanto os preços quanto os volumes demandados.

Para o sócio da Green Domus, Felipe Bottini, as metas do RenovaBio para este ano podem ficar entre 21 a 23 milhões de CBios. Mas há quem aposte em quedas ainda maiores.

Uma importante fonte da cadeia sucroenergética, com liderança regional e nacional, acredita que o volume pode cair pela metade. Em conversa com colaboradores do MME, ela teria ouvido quantias em torno do 14 milhões de CBios.

Redução em andamento

A secretaria de petróleo, gás natural e biocombustíveis do MME fez uma reunião interna no último dia 22 para fechar os números, guardados a sete chaves. O diretor de biocombustíveis do ministério, Miguel Ivan Lacerda, revela apenas que há uma “redução da oferta de CBios”. “Estamos ajustando a meta pra corrigir isso”, afirma.

Ele acredita na importância do programa para o meio ambiente e relata que não está descontente com a revisão: “Em até 15 dias vamos abrir os números em uma chamada pública e há muita coisa interessante para o setor nos documentos”.

Giovanni Lorenzon