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Política

Pedido de revisão em política da Petrobras se espalha por setores da economia

Indústrias afetadas reclamam do aumento dos preços dos combustíveis e do asfalto


Folha de S. Paulo - 05 abr 2022 - 07:50

As pressões por revisão na política de paridade internacional de preços da Petrobras deixaram de ser um discurso vinculado aos caminhoneiros e começam a se espalhar por diversos setores da economia.

O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, diz que há um alerta vermelho no setor em relação ao aumento nos preços.

“O setor de concessão de rodovias reconhece que o aumento expressivo do preço do CAP [cimento asfáltico de petróleo] nos últimos meses tem prejudicado as concessões. Isso impacta a sustentabilidade financeira dos projetos”, diz.

Barcelos diz que as empresas estudaram importar o asfalto da Rússia, mas foram impedidas pela guerra. “Nós estamos reféns de uma atuação praticamente monopolista. A Petrobras é a única provedora nacional desses insumos e todo o setor fica refém da política que ela estabelece em relação a esses insumos”, diz.

O diretor da ABCR afirma que há conversas com o Ministério da Infraestrutura e com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre alternativas para contornar a situação, que atinge contratos vigentes e futuros.

“Se não houver um equacionamento, os governos vão começar a enfrentar problemas de competitividade nas licitações das concessões de rodovias. Ou vai reduzir o número de empresas interessadas porque o preço está muito alto ou vamos correr o risco de ter licitações desertas”, diz.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, relata que o segmento também foi atingido pelo aumento do diesel e do asfalto e reclama de monopólio. “A Petrobras é o único monopólio, real, sem regulação. Funcionários e acionistas decidem o quanto o brasileiro irá pagar. Estão somente preocupados com seus salários e dividendos”, diz.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz, também defende revisão na política vigente. “Apesar de o Brasil ter se tornado autossuficiente em petróleo e subsidiado a produção do etanol por muito tempo, os brasileiros vão pagar um preço alto com as consequências da guerra na Ucrânia. Só quem vai ganhar muito com isso vai ser a Petrobras e os produtores de álcool”, afirma.

A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) diz que não defende a revisão dos preços da Petrobras, mas tem direcionado seus esforços para equilibrar o fluxo de caixa das concessionárias, que sofrem com o alto preço do diesel. O combustível responde por cerca de 35% do custo operacional de uma ferrovia.

Segundo Fernando Paes, diretor-executivo da entidade, o setor está preparando um estudo para enviar à ANTT falando sobre os impactos do aumento na operação e na construção de novas ferrovias.

O material também apresenta possíveis soluções. Uma das alternativas seria a revisão de tetos tarifários, que determinam o valor máximo que pode ser cobrado por tonelada em cada trecho. “Com o aumento do diesel, tem trechos que, nem se colocar a tarifa no teto máximo, conseguimos fazer com que seja rentável”, diz Paes.

A entidade também deve sugerir como opções a redução de pagamentos de outorgas e taxas de arrendamento, a reavaliação de investimentos e até mesmo prolongamento do prazo das concessões.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) também se manifesta a favor de revisão na política de paridade internacional de preços da Petrobras, especialmente após o novo aumento no preço do querosene de aviação (QAV), na sexta-feira, 1º, que superou 18% em Guarulhos e outros aeroportos.

Joana Cunha
Com reportagem de Andressa Motter e Ana Paula Branco

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