Política

“Nunca houve interferência” na Petrobras e ciclo de Castello Branco terminou, diz ministro

Bento Albuquerque, de Minas e Energia, afirmou que saída de executivo já era avaliada


O Globo - 22 fev 2021 - 07:51

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, negou interferência na Petrobras com a troca de comando da estatal anunciada nesta sexta-feira. Em entrevista ao Globo, o ministro disse que Roberto Castello Branco está “terminando” o ciclo dele na estatal e revelou que a troca já estava sendo avaliada.

O novo chefe da estatal é Joaquim Silva e Luna, diretor-geral da Itaipu Binacional e ex-ministro da Defesa no governo Michel Temer. Segundo Albuquerque, o mandato de Castello Branco se encerra dia 20 de março, o que permite a troca de comando na estatal sem demissão.

“O presidente da Petrobras está terminando o ciclo de dois anos, no dia 20 de março. Já estava sendo avaliado uma substituição. Foi escolhido o Silva e Luna pelo excelente trabalho em Itaipu, onde ele também estava encerrando o ciclo dele”, afirma.

O ministro também rechaçou a interferência na Petrobras e na sua política de preços. O anúncio do quarto aumento no preço dos combustíveis, nesta quinta-feira, pela Petrobras, foi a gota d’água para a saída de Castello Branco.

“Nunca houve interferência, não haverá interferência, até porque não teria como. A Petrobras tem uma governança bem clara. O próprio estatuto da Petrobras não permite isso. Não tem por que interferir e não há como interferir”, disse o ministro.

Albuquerque comparou a troca de comando na Petrobras com uma mudança na Procuradoria-Geral da República (PGR): “A não recondução do Castello Branco é uma opção que o governo tem, à semelhança do que ocorre na PGR, que pode ser reconduzido ou não”.

Para reduzir o preço dos combustíveis, Albuquerque disse que o governo irá adotar medidas “estruturais”, citando o projeto encaminhado na semana passada que altera a forma de cobrança do ICMS.

Ele também citou a possibilidade de criar um fundo de compensação para os combustíveis e um tributo que se ajuste de acordo com o preço da commodity.

“O que nós estamos fazendo é regulamentar coisas, como o ICMS. E estamos trabalhando em outras medidas, como o combate a fraudes, e medidas estruturantes que possam dar tranquilidade a este e qualquer governo em termos variação de preços da commodity e da mudança cambial”, argumenta.

Manoel Ventura


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