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Política

Mourão se diz contra privatização da Petrobras: “Não é a solução”


UOL - 18 nov 2021 - 08:08

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) declarou ontem, em entrevista ao UOL, ser contrário à privatização da Petrobras, ideia que foi levantada em entrevistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas que atualmente não encontra respaldo e viabilidade política dentro do Congresso.

“Hoje eu sou contra a privatização. Não a vejo como solução para o problema [do preço dos combustíveis]. O governo detém hoje 37% da Petrobras, na realidade. Os outros 63% estão distribuídos entre os mais diversos acionistas. A Petrobras é uma empresa com ação em bolsa”, declarou ele.

Para Mourão, a privatização da estatal não baixaria o preço do combustível porque o “problema” não está na extração do petróleo, e sim no refino.

“Um quinto do combustível vendido aqui no Brasil é importado. Também se deixou um pouco de lado a questão do etanol, que é um combustível nosso. E eu já vivi todas essas crises. Na década de 1970, o posto de combustível fechava no final de semana”, relembrou ele.

Mourão disse ainda entender “perfeitamente qual é o problema do [preço do] combustível”.

“O combustível aumentou em preços internacionais 60% nesse ano. Aqui no Brasil ele aumentou 50%. Então nós nem mantivemos a paridade internacional. Ao mesmo tempo, a nossa moeda se desvalorizou. Então foi uma tempestade perfeita”, disse.

O vice-presidente afirmou considerar que a necessidade de importação de ao menos 20% de todo o combustível que é distribuído no país acaba por criar um gargalo financeiro, sobretudo em um período de desvalorização da moeda nacional.

“O que acontece no nosso país é que somos autossuficientes na produção de petróleo, mas não somos autossuficientes na produção de combustível – 20% do combustível que utilizamos no Brasil é importado. Então não adianta importar por dez, chegar aqui e vender por cinco. Quem é que vai fazer isso? Ele vai ter que vender, no mínimo, pelo preço que ele está importando”, completa.

Mourão alegou que, em “curto de espaço de tempo”, há uma tendência favorável à solução desse problema, pois “agora é que está sendo quebrado o monopólio do refino”. Segundo ele, o preço na bomba deve baixar à medida que novas empresas entrarem no ramo, assumindo as refinarias e ampliando a concorrência.

“Agora que está sendo quebrado o monopólio do refino. Então eu acredito que em curto espaço de tempo, com novas refinarias sendo construídas e com novas empresas entrando nisso aí, teremos uma queda significativa do preço do combustível aqui no Brasil”.

Carla Araújo e Fabíola Cidral

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