Política

Para MME falta "conforto" para aumentar mistura de etanol na gasolina


NovaCana - 23 mai 2014 - 12:33
marco antonio almeida b 230514
O principal desejo do setor sucroenergético para o curto prazo é o aumento da mistura de etanol na gasolina para 27,5%. Mas, pelas declarações do Governo Federal, a mudança não deve acontecer tão cedo.

As esperanças do setor diminuíram quando, no mês passado, o ministro Guido Mantega informou que, por hora, o governo não cogita fazer esta alteração.

Agora foi a vez do secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do MME, Marco Antônio Almeida, reduzir a expectativa das usinas. "O que a gente conseguiu juntar não dá conforto para que se faça a mudança agora. O que vai ser feito é um conjunto de estudos específicos", disse o secretário à Gazeta do Povo, sem citar prazos. Segundo o jornal, o governo pretende verificar se há estudos para sustentar a demanda das usinas.

Na última terça-feira foi aprovada pela Câmara dos Deputados a Medida Provisória 638, com o artigo sobre o aumento do percentual excluído do texto final.

Anfavea continua com posição firme
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma que 25% é o limite possível. O vice-presidente da entidade, Henry Joseph Júnior, diz que o aumento traria risco para veículos importados e para a frota antiga que roda apenas à gasolina.

As fábricas sustentam que poderia haver problemas de dirigibilidade, desgaste de peças e dificuldade de aceleração. Outros problemas levantados são aumento da emissão de poluentes e do consumo de combustível. A base de argumentação para isso foram testes com gasolina adulterada, que avaliaram resultados em curto prazo.

"Não há como afirmar em que nível o carro sentirá esses efeitos, mas com certeza haverá problemas. O dono ficará meio transtornado, tentando corrigir o que não pode ser corrigido", diz Joseph. A Anfavea informa ainda não ser possível avaliar o que a mistura faria com novas tecnologias de veículos importados, como a injeção direta de combustível.

Preço do hidratado
Como a procura pela gasolina está alta, as usinas devem produzir mais etanol anidro, que é misturado à gasolina. "Vai sobrar menos etanol hidratado para colocar no mercado. Se baixar o preço, falta produto. Então os preços médios devem ficar mais altos do que na safra passada", diz o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida.

novaCana.com
com informações e adaptações da reportagem de Camille Bropp Cardoso da Gazeta do Povo