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Política

Mercado teme ingerência, mas não vê mudança na política de preços da Petrobras

Durante a gestão de Silva e Luna, gasolina e gás de botijão acumulam alta de 27%


O Globo - 29 mar 2022 - 14:15

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar novamente o comando da Petrobras levanta temores de ingerência do governo na petroleira, dizem analista. Ao mesmo tempo, eles afirmam que o mercado não prevê mudança na política de preços da companhia.

Para o economista e consultor Álvaro Bandeira, a troca no comando não afeta as prioridades da Petrobras, mas passa uma imagem negativa de nova ingerência do governo na empresa.

“Não muda nada em termos de preço de combustíveis, porque quem faz a política de preços não é o presidente. Muda a expectativa com relação à empresa. Em uma companhia do porte da Petrobras, é muito ruim você ter três administrações em pouco mais de três anos. Certamente não é uma boa prática de administração de grandes corporações”, afirma.

Mais do que uma mudança efetiva de rumo, o que o mercado teme é a interferência do governo, especialmente em ano de eleição presidencial. Para o analista João Frota, da Senso Investimentos, o propósito da mudança é ter um alinhamento maior com o pensamento do controlador.

“O novo comando da companhia vai tentar andar na corda bamba, entre dilatar prazos de paridade cambial de preços internacionais e atender o suprimento do mercado interno através de acordos com refinarias. É difícil, mas quem manda na empresa é o controlador. Conta a favor a queda do dólar, mas isso pode ser pontual, em razão da alta de juros nos EUA”, afirmou Frota. “Agora o clima político é quem vai ditar as regras do jogo”.

Ao longo dos 11 meses de gestão de Silva e Luna à frente da Petrobras, gasolina e gás de botijão subiram, em média, 27%. O diesel teve alta de 47% no período e o GNV (gás veicular) aumentou 44%.

Para analistas, Silva e Luna na Petrobras cumpriu a política de preços, ainda que em alguns momentos o repasse não tenha sido imediato. A prática era esperar sinais de que havia ocorrido uma mudança de patamar e não só um repique pontual de preços.

Segundo fontes, Adriano Pires, indicado pelo governo para assumir o cargo, terá de administrar a pressão para não reajustar preços e terá de convencer o mercado. Embora seja considerado um nome técnico, atua há bastante tempo como consultor.

O sócio da casa de análise Nord Research, Bruce Barbosa, ressalta que não faz sentido para o mercado a empresa subsidiar preço do petróleo no Brasil. E lembra que a Petrobras exporta petróleo e importa gasolina, as refinarias brasileiras não estão preparadas para o refino do petróleo brasileiro.

“A gente está vendo a segunda substituição de presidente da empresa porque basicamente ele não faz o que o governo quer, que é abaixar o preço da gasolina. Só que ele não consegue. A Petrobras tem hoje uma governança que é melhor do que a que tinha. O governo pode colocar o presidente que quiser lá, ele não vai poder baixar o preço da gasolina na canetada”, afirma.

Na avaliação de do chefe de pesquisa da Guide Investimentos, Fernando Siqueira, embora o nome de Pires não seja malvisto, a troca frequente de comando causa incerteza: “Cria-se risco de uso político da Petrobras, o que geraria perdas aos acionistas. O desempenho na Bolsa da Petrobras deve continuar ruim apesar da alta recente do petróleo por causa das incertezas”.

O desempenho das ações da companhia

Os papéis da estatal começaram a segunda-feira operando em baixa em razão da queda do petróleo, mas intensificaram o movimento após a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro demitiria Joaquim Silva e Luna diante da pressão por causa do reajuste dos combustíveis. As ações ordinárias (com voto) caíram 2,63%, negociadas a R$ 34,08, e as preferenciais (sem voto) recuaram 2,17%, a R$ 31,60.

A notícia também teve impacto na percepção dos investidores no exterior. Os recibos de ações da estatal (ADRs) em Nova York caíram 3,47% na negociação após o horário de fechamento do pregão.

Segundo analistas, a queda dos papéis só não foi mais intensa porque a demissão de Silva e Luna já era esperada desde que ele anunciou reajuste de 18,77% na gasolina e de 24,9% no diesel após a alta do petróleo no mercado internacional em razão do conflito entre Rússia e Ucrânia.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a comentar publicamente que pediu que o reajuste fosse segurado em um dia, mas não foi atendido. Ele também vinha fazendo críticas públicas à política de preços, que repassa ao valor cobrado na refinaria a flutuação do dólar e do petróleo.

Vitor da Costa, João Sorima Neto, Ivan Martínez-Vargas, Marcelo Mota e Bruno Rosa


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