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Política

Indicado de Bolsonaro para Petrobras defendeu mudança em política de preços


CNN Brasil - 18 mar 2022 - 09:11

O novo indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir o Conselho de Administração da Petrobras, Rodolfo Landim, reuniu-se com o presidente da empresa, general Silva e Luna, no dia 12 de setembro de 2021 na sede da estatal no centro do Rio de Janeiro.

Na ocasião, segundo fontes do governo, Landim, deu diversas sugestões sobre rumos da estatal e disse a Silva e Luna que em três meses conseguiria mudar a política de preços da Petrobras. O general respondeu que se ele fizesse isso, estaria operando um milagre, dada a impossibilidade, na visão dele, de alterar regras para mexer nos preços da Petrobras. Além dos dois, participaram da conversa dois assessores do general.

No governo, o tom dessa conversa é uma das pistas para compreender o movimento de Bolsonaro no sentido de atacar a Petrobras. Fontes asseguram que o mesmo sinal que Landim deu ao general nessa reunião em setembro também foi dado a Bolsonaro. Ou seja, de que conseguiria alterar a política de preços da Petrobras. E teria sido a partir daí que acabou sendo indicado para assumir a presidência do Conselho de Administração da empresa.

Isso ocorreu no dia 6 de março de 2022, quando seu nome foi publicado no Diário Oficial da União como indicado pelo governo para presidir o colegiado. Para assumir o posto, falta agora ele ser referendado pela assembleia dos acionistas no dia 12 de abril.

Landim não quis comentar com a CNN o encontro com o general e sua fala. “Como fui indicado para a presidência do conselho da Petrobras, eu me coloquei em período de silêncio até a realização da Assembleia Geral”, disse.

O general também não quis comentar o tom da conversa. Mas a percepção no seu entorno é de que o governo pode sim destituir o general da presidência ou, se considerar essa manobra muito brusca e com grande impacto na saúde financeira da empresa e nas regras de governança que ela segue, tentar pelo menos alterar a sua política de preços sob a liderança de Landim.

Nesta quinta-feira, 17, fontes do Palácio do Planalto disseram à CNN que a ideia do presidente é tirar Silva e Luna. Se optar pela destituição, isso ocorreria a partir de uma lista com novos indicados para o Conselho, sem a presença do general nela.

Mas, se a opção for pela mudança da política de preços apenas, isso ocorreria com Landim e o general dentro do mesmo colegiado. Essa hipótese, contudo, é tida como muito difícil de ocorrer segundo fontes da estatal em razão das mudanças que precisariam ser feitas no estatuto e na legislação, por exemplo, das estatais.

Qualquer que seja a opção, trata-se de uma operação considerada de alto risco político e financeiro, dada as regras de governança da estatal. O mandato de Silva e Luna dura até março de 2023. Não há sinais na Petrobras de que isso possa ocorrer.

A leitura predominante é de que o contexto político – as eleições nacionais deste ano – têm sido o principal ponto a influenciar na postura do presidente Jair Bolsonaro nos ataques à estatal.

Caio Junqueira

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