Política

Por impactos do Covid-19, setor canavieiro pede apoio a Guedes e outros ministros


Folha de Pernambuco - 30 mar 2020 - 07:23

Mais de 60 mil produtores de cana no Brasil, imobilizados pela quarentena no país diante do coronavírus, amargam quedas acentuadas nos valores do açúcar (-15,3%) e do petróleo (-59%) nas bolsas de valores. Esta realidade tem reduzido o preço da matéria-prima do açúcar e etanol, com impactos sobre as lavouras e em toda cadeira produtiva canavieira.

A fim de atenuar parte dos danos produtivos e socioeconômicos de médio prazo, a entidade nacional dos canavieiros (Feplana) afirma que buscou o apoio do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, assim como dos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

“O cenário que nos espera deve ser mais problemático que o atual, já que a previsão do valor da cana é cair mais 16% por conta da estagnação econômica causada pela pandemia, inviabilizando o negócio canavieiro devido aos preços baixos, ficando bem menores que custos de produção”, conta o presidente da Feplana, Alexandre Andrade Lima.

A Feplana pleiteia três medidas específicas. A primeira é a prorrogação do prazo de pagamento das dívidas rurais, definidas neste ano para o final de 2020.

“Com a paralisação das atividades econômicas em função da pandemia, será impossível o canavieiro se reerguer tão rapidamente. Por isso, pedimos a prorrogação para até o final de 2022”, explica Andrade Lima. Ele continua: “Essas dívidas dizem respeito a empréstimos realizados para custeio e investimento dos canaviais. Pleiteamos ainda a prorrogação das repactuações de dívidas agrícolas. E solicitamos que esse prazo maior não afete as aquisições de créditos rotineiros para o financiamento da safra”.

Lima também pede também o fim da exclusividade da venda do etanol das usinas pelas distribuidoras. De acordo com ele, a venda direta seria “ainda mais importante” frente à queda dos valores da gasolina na bomba de combustível. Assim, o presidente da Feplana defende que o etanol pode ficar mais competitivo na bomba e melhorar a rentabilidade das unidades produtoras, e, com isso, aumentar o preço da cana dos fornecedores. A medida, ainda segundo ele, poderia diminuir a circulação de caminhões das distribuidoras, colaborando na redução do preço do etanol e na questão socioambiental.

Os canavieiros também buscam garantias para os produtores independentes obterem valores obtidos com os créditos financeiros da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). A princípio, o programa não envolve uma regulamentação para o segmento canavieiro.