PUBLICIDADE
BN novacana 1300x150
Política

Guedes diz “estar sem luz” sobre troca de comando na Petrobras

Ministro já havia dito que não participou de indicação de Pires para presidência


Folha de S. Paulo - 05 abr 2022 - 07:32

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, 4, “estar sem luz” sobre a crise gerada com a troca de comando da Petrobras. Responsável pelas nomeações da área econômica no início do governo, ele já havia afirmado não ter participado da escolha de Adriano Pires para presidir a companhia.

A declaração de Guedes foi dada após almoço promovido pelo grupo Voto em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Ao entrar no carro, a imprensa pediu que ele “desse uma luz” sobre o que está acontecendo na estatal. “Estou sem luz”, afirmou.

As ações da Petrobras iniciaram o dia em queda com notícias de que o nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para presidir a companhia, Adriano Pires, teria desistido de ocupar o cargo. A informação ainda não foi confirmada pelo governo.

Os rumores ocorrem pouco mais de 24 horas depois que o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, desistiu de presidir o conselho de administração da companhia, alegando que precisa se dedicar ao comando do clube.

Os dois nomes seriam apreciados em assembleia de acionistas agendada para o próximo dia 13. Foram escolhidos por Bolsonaro e pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, com apoio de parlamentares do Centrão.

Chamado por Bolsonaro de “posto Ipiranga” durante a campanha, Guedes teve autonomia para escolher presidentes de estatais no início do governo – foi dele a indicação do primeiro presidente da Petrobras sob Bolsonaro, Roberto Castello Branco.

Mas Guedes veio perdendo esse poder ao longo do mandato. Em 2021, Bolsonaro demitiu Castello Branco e indicou para seu lugar o general Joaquim Silva e Luna, em meio a uma crise política gerada pela escalada dos preços dos combustíveis.

Este mês, também insatisfeito com a alta de preços, decidiu trocar Silva e Luna por Pires. Questionado sobre a indicação no fim de março, Guedes disse que “não é problema meu”. “O que eu posso dizer? Desejo boa sorte ao presidente da Petrobras”, continuou, após insistência dos repórteres sobre o assunto.

“Estou mais preocupado com a guerra, como vamos atenuar os impactos de preços, reduzir os impostos é o primeiro passo, pensar em reforçar ajudas para os mais frágeis, se os preços continuarem subindo, deve ser o segundo passo”, disse.

Apesar de o mercado financeiro ter comemorado as indicações de Landim e Pires, especialistas da área de energia questionaram a ligação dos dois com o empresário Carlos Suarez, que tem negócios no setor de gás natural.

A renúncia de Landim foi vista como um alívio e o mercado espera que Pires siga o mesmo caminho. Sua nomeação foi questionada na sexta, 1º, pelo Ministério Público do Tribunal de Contas da União (TCU), que pediu investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Comissão de Ética sobre possível conflito de interesse.

Até o momento, diante dos rumores de desistência de Pires, o Palácio do Planalto e o MME limitam-se a dizer que não receberam “nenhum comunicado oficial” do nomeado.

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail

PUBLICIDADE
Card image


x