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Política

Erros dos presidenciáveis sobre o aumento no preço dos combustíveis

Agência Lupa checou declarações recentes de pré-candidatos à Presidência sobre o assunto


Folha de S. Paulo - 21 mar 2022 - 09:39

Recentemente, a Petrobras anunciou reajuste de 16% a 25% nos preços dos combustíveis, após disparada do preço do petróleo no mercado internacional.

Alguns dos pré-candidatos à Presidência usaram as redes sociais para comentar o aumento, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lideram as pesquisas de intenção de voto. A Lupa checou algumas dessas declarações.

  1. “Quem pesquisa e vê sabe que uma das gasolinas mais baratas do mundo é a nossa”, Jair Bolsonaro (PL)

    FALSO: Segundo dados de 14 de março do Global Petrol Prices, que compila dados internacionais sobre o valor do petróleo e derivados, o custo da gasolina no Brasil é próximo à média mundial. O preço médio do litro do combustível no mundo é de US$ 1,32 (aproximadamente R$ 6,77 na cotação do dia 15 de março), enquanto no Brasil o preço está em US$ 1,305 (R$ 6,67). A Agência Nacional do Petróleo mostra preço similar para o combustível no Brasil, na semana de 6 a 12 de março: R$ 6,683. Em 88 dos 170 países listados, a gasolina é mais barata. Venezuela (US$ 0,025), Líbia (US$ 0,032) e Irã (US$ 0,051) são os países onde o combustível é mais barato. Já Hong Kong (US$ 2,879), Mônaco (US$ 2,477) e Países Baixos (US$ 2,432) são os lugares onde abastecer o carro sai mais caro. A Lupa procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência, mas não recebeu retorno.
  2. “Agora [após a venda da BR Distribuidora] você tem empresas importando gasolina dos Estados Unidos em dólar”, Lula (PT)

    FALSO: O Brasil não começou a importar, em dólar, combustível dos Estados Unidos e de outros países apenas após a venda da BR Distribuidora (atual Vibra). Segundo dados do Comex Stat, portal oficial de estatísticas de comércio exterior do governo federal, o país importou entre 14,1 milhões de toneladas e 19,8 milhões de toneladas anualmente de 2010 a 2021. Desde 2016, mais da metade do combustível é importado dos Estados Unidos – a participação norte-americana nas importações chegou a 74% em 2020, mas recuou para 53% no ano passado. Essa tendência, contudo, começou durante o governo Lula. Em 2002, apenas 1% dos combustíveis importados vinham de lá, contra 28% em 2010. A Lupa procurou a assessoria de imprensa do Instituto Lula, mas não recebeu retorno.
  3. “Enquanto temos autossuficiência e produzimos petróleo em reais”, Lula (PT)

    VERDADEIRO, MAS: De fato, o Brasil extrai quantidade suficiente de petróleo para atender à demanda nacional. Segundo dados do Anuário Estatístico do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2021, o Brasil consome o equivalente 2,3 milhões de barris de petróleo por dia e produz 3 milhões. Isso não significa, contudo, que o país seja autossuficiente em combustíveis, visto que o petróleo precisa ser refinado, ou seja, transformado em outros produtos, antes de ser consumido. A maior parte das refinarias no Brasil, construídas antes da descoberta das reservas na camada pré-sal, não tem capacidade para tratar o tipo de petróleo que é extraído desses campos. Elas foram desenhadas para processar óleo de tipo pesado, que o Brasil costumava importar, e não o de tipo leve. Por causa disso, o Brasil acaba exportando e importando petróleo cru, além de combustíveis.
  4. “Só em dividendos, a Petrobras pagou 101 bilhões a esses acionistas no ano passado”, Ciro Gomes (PDT)

    VERDADEIRO: A Petrobras anunciou, em 23 de fevereiro de 2022, lucro líquido de R$ 106,7 bilhões no ano de 2021. A informação consta no Relatório de Desempenho Financeiro da empresa referente ao quarto trimestre do ano. O documento informa também que a empresa pagou R$ 37,3 bilhões aos acionistas naquele trimestre. Esse dinheiro se soma ao pagamento de mais R$ 63,4 bilhões no resto do ano, totalizando R$ 100,7 bilhões.
  5. “O Brasil produz mais petróleo bruto do que consome. Mas, como não consegue refinar tudo, acaba tendo que importar 30% do seu combustível”, Felipe D’Ávila (Novo)

    EXAGERADO: Em 2021, o Brasil produziu 461 mil metros cúbicos de petróleo por dia, o que equivale a 168,5 milhões de metros cúbicos de petróleo no ano, e comercializou no mercado interno 139,5 milhões de metros cúbicos de combustíveis derivados de petróleo e biocombustíveis segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Porém, do montante comercializado, 22,3 milhões de metros cúbicos eram importados – ou seja, 16%, quase metade dos 30% citados. Dos principais combustíveis do mercado nacional, apenas o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), utilizado nos botijões de gás, se aproxima do número dito pelo pré-candidato, com 29,5% do volume comercializado em 2021 tendo sido importado –as porcentagens para a gasolina, o etanol e o diesel foram de, respectivamente, 6,1%, 1,6%, 23,2%. Por WhatsApp, a assessoria do candidato disse que ele se referia à importação de derivados de petróleo no geral, e não, especificamente, de combustíveis. Levantamento da Federação Única dos Petroleiros, de janeiro deste ano, mostrou que 28% dos derivados de petróleo consumidos no Brasil são importados — número próximo ao citado pelo candidato.
  6. “A grande maioria do petróleo consumido no nosso país é refinado aqui dentro mesmo”, André Janones (Avante)

    VERDADEIRO: Em 2021, 79% do montante de combustível derivado de petróleo comercializado no Brasil, independentemente de ter sido importado ou não, foi refinado em solo nacional, segundo disse a ANP em nota enviada por e-mail à Lupa. No total, no ano passado, o Brasil refinou 105,5 milhões de metros cúbicos de petróleo.

Henrique Sales Barros, Luisa Souza e Maiquel Rosauro


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