PUBLICIDADE
BN novacana 1300x150
Política

“Efeito Marina” afeta ações da Cosan, Biosev, São Martinho e Tereos


NovaCana - 16 set 2014 - 09:32

As ações da Cosan, dona da Raízen, a maior produtora de etanol do mundo, subiram diante da perspectiva de vitória da candidata à presidência da República, Marina Silva. Biosev, São Martinho e Tereos Internacional também sentiram os efeitos de uma possível virada no jogo eleitoral.

Controlada pelo bilionário Rubens Ometto, a Cosan subiu mais de 26% desde que Marina surgiu inesperadamente no meio da disputa, logo após substituir Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião no dia 13 de agosto. Trata-se da maior alta entre 157 empresas do setor em todo o mundo.

As ações de outros três grupos sucroalcooleiros listados na bolsa tiveram comportamento semelhante com o chamado “efeito Marina”. Em termos de valorização, a Cosan ficou atrás apenas da Biosev, que chegou a subir 34% graças à situação política e a seus esforços de restruturação das dívidas. Os papéis da São Martinho alcançaram 17% de alta e os da Tereos 14%, superando a valorização de 10% do índice Bovespa. Com a reestruturação dos negócios da Cosan, previsto para 1o de outubro, a empresa pode ainda se valorizar um pouco mais.

Após esta forte alta, os ataques do PT à Marina Silva e a perspectiva de perda de votos da candidata diminuíram a euforia. As ações das empresas sentiram o impacto e registraram recuo.

Preço das ações da Cosan, Sao Martinho e Biosev com as mudanças nas eleições 2014

“Efeito Marina”

Em seu plano de governo, divulgado em 29 de agosto, a ex-ministra do meio ambiente promete estimular o consumo de etanol. As pesquisas indicam a liderança da candidata sobre Dilma Rousseff, cuja tentativa de conter a inflação impede um aumento nos preços da gasolina pela estatal Petrobras e enfraquece a demanda pelo combustível de cana.

“Há um efeito Marina”, disse Sandra Peres, analista chefe da corretora Coinvalores, em São Paulo. “Ela carrega a bandeira dos renováveis e o mercado espera incentivos para o setor”.

Marina disse que consideraria incentivos fiscais a fim de ajudar os fornecedores de etanol. Esse reavivamento que ela provocou na indústria é agora uma peça chave de sua campanha. A produção de etanol “não pode ser sacrificada em sua habilidade de competir no mercado de combustíveis por causa de uma política de controle de preços da gasolina que subestima” o renovável, de acordo com seu plano de governo. A assessoria de imprensa da candidata não respondeu a uma solicitação de entrevista.

Preços da gasolina e previsibilidade

No Brasil, o preço do etanol nas bombas está ligado ao preço da gasolina. Marina disse que poderia responder aos preços atuais da gasolina, medida que tornaria o etanol mais atrativo para os motoristas de carros flex que usam ambos os combustíveis.

“Com uma política diferente, os preços do etanol poderiam subir no Brasil”, Artur Losnak, analista de equity da corretora Fator, disse por telefone. Isso faria com que o lucro dos produtores aumentasse, o que é pouco provável que aconteça no governo atual. “Ninguém acredita que a Dilma irá mudar a política atual em relação à gasolina”.

Previsibilidade nos preços do etanol é essencial para a recuperação da indústria, de acordo com Rodrigo Aguiar, chefe executivo da Tonon Bioenergia, um produtor de etanol de capital fechado.

“Se os preços não estão no lugar certo, você está estimulando o uso da gasolina ao invés do de etanol”, disse Aguiar numa entrevista. Isso é “contrário à políticas de combate à poluição e ao que a gente espera de Marina como ambientalista”.

Com Bloomberg

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail

PUBLICIDADE
Card image


x