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Política

As declarações de Dilma, Braga e Ometto durante a inauguração da fábrica 2G da Raízen


Agências - 22 jul 2015 - 17:14 - Última atualização em: 23 jul 2015 - 16:18

Em um momento de reaproximação com empresários do setor sucroenergético, a presidente Dilma Rousseff afirmou que governo deve manter políticas de fomento à indústria durante a inaguração da unidade de etanol de segunda geração (2G) da Raízen, em Piracicaba, no interior paulista, nesta quarta-feira (22).

Após ter sido alvo de críticas no início do ano, esse foi o segundo encontro de Dilma com empresários da cadeia de açúcar e álcool -- o primeiro ocorreu durante a visita presidencial aos Estados Unidos, no mês passado.

“Hoje nós perseguimos o equilíbrio das contas públicas, que é essencial para que a economia se recupere. Nós já tomamos um conjunto de medidas. No caso do etanol, o aumento da mistura. Nós vamos continuar tomando medidas microeconômicas para facilitar a atividade e para garantir um ambiente de negócios mais amigável”, disse .

A referência foi ao aumento de 25% para 27% do álcool anidro na gasolina C, efetuado em março.

Para Dilma, o etanol de segunda geração é uma janela para o desenvolvimento nacional. “Ao consolidar a produção do etanol [2G] em escala comercial, nós nos manteremos na vanguarda da produção e do uso desse combustível. Isso significa garantir uma rota inovadora, que implique maior produção, maior produtividade, mais e melhores empregos. Coloca também o Brasil nessa nova etapa da história etanol como um dos combustíveis alternativos ao petróleo”, disse.

“Com esse salto [tecnológico], será possível ampliar a produção em 50% sem aumentar a área cultivada”, disse Dilma, citando declarações anteriores de executivos da joint venture entre Cosan e Shell.

Uma das vantagens que o etanol possui, afirmou a presidente, é o aproveitamento de estruturas já instaladas. “No caso do etanol, tem uma característica fundamental: ele é capaz de usar a mesma logística e infraestrutura da cadeia do petróleo. Portanto, ele tem um poder de penetração e de combinação que torna mais fácil superar os grandes desafios do clima, de tornar a matriz energética mais limpa.”

Clique aqui para ler o discurso completo da presidente. 

Papel na discussão climática

A presidente realçou que o compromisso com a mitigação dos gases de efeito estufa, por meio da substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis, estará na pauta da 21ª Conferência do Clima (COP 21), que será realizada em dezembro na capital francesa.

“O Brasil acredita que é muito importante que, em 2030, nós não façamos mais menção à energia elétrica, mas às matrizes de energia. Portanto, com destaque especial para as fontes renováveis na área de combustíveis. Isso criará uma imensa demanda para o etanol no mundo. Nós vamos levar essa proposta para Paris.”

Dilma ainda defendeu que “o maior desafio quando se trata de produzir energia de forma sustentável está no setor de combustíveis”.

“Sabemos também que um melhor tratamento das questões do clima passa pelos combustíveis”, acrescentou, lembrando de seu encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando assumiram o compromisso de ampliar o uso de fontes renováveis na matriz de energia.

Apoio da pasta de Minas e Energia e do governo paulista

O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que o governo agiu e continuará agindo para apoiar o setor sucroenergético.

Ele citou a eliminação total de tributos federais incidentes sobre a comercialização do etanol carburante, o aumento da mistura do etanol anidro na gasolina, o restabelecimento parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina C e o financiamento à estocagem de etanol e à renovação dos canaviais.

Essas medidas, segundo ele, alcançaram mais de R$ 6 bilhões apenas na última safra.

Outra medida do governo, ressaltada por Braga, foi o estímulo à inovação por meio do Plano Nacional de Apoio à Inovação Tecnológica e Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (Paiss), que disponibilizou verbas que se aproximam a R$ 4 bilhões em financiamento e subvenção.

Citou ainda a abertura da possibilidade de emissão de debêntures incentivadas como forma alternativa de financiamento.

Segundo Braga, o governo tem o firme propósito de manter o Brasil com a matriz energética mais renovável entre as economias emergentes e desenvolvidas, com a participação do setor sucroenergético e ainda em um cenário de consumo crescente de combustíveis.

"Não há tempo para acomodação. A demanda por combustíveis cresce", afirmou.

Braga admitiu que o setor sucroenergético enfrentou desafios nos últimos anos e sempre houve a consciência de que era necessário o aumento da produtividade por meio de pesquisas e inovação tecnológica.

"Hoje estamos vendo respostas firmes a esses desafios", afirmou o ministro, citando a unidade produtora de etanol por meio do processamento do bagaço e da palha.

Braga destacou que, atualmente, a cadeia produtiva da cana participa de 15,7% da oferta interna de energia, considerando, entre os produtos, o etanol e a bioeletricidade a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A produção de energia da biomassa já equivale ao que atingirá Belo Monte, quando concluída, ressaltou.

No entanto, o ministro afirmou que a crescente demanda por combustíveis no mercado interno está criando o que chamou de lacuna em relação à capacidade do Brasil produzir etanol e gasolina.

Discursando antes da presidente da República, o ministro disse que o governo tem o compromisso de manter o Brasil com a matriz energética mais limpa entre os países em desenvolvimento, com a ampliação da oferta de combustíveis renováveis.

Na mesma linha, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, destacou medidas adotadas pela administração estadual em favor do setor, especialmente na área tributária. Entre elas, citou a redução de 25% para 12% da alíquota do ICMS para etanol. “Quero reiterar nosso compromisso com o setor”, disse.

Ao final do evento, Dilma e Alckmin foram bastante aplaudidos.

Ometto, um aliado de peso

Rubens Ometto Silveira Melo, presidente do conselho de administração da Cosan e sócio da Raízen, defendeu enfaticamente o governo e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com ele, “hoje é fácil reclamar” do governo e chamou a presidente de “mulher patriota, brasileira, correta, lutadora, e de fibra”.

“Desde que era ministra, toda a interlocução sempre foi no sentido de nos empurrar para a frente. Suas críticas sempre foram provocativas”, disse.

Além disso, afirmou Ometto, o BNDES tem sido essencial para o setor. Ele considerou o banco um "quadro técnico sério, competente e invejável” e disse que sem ele “esse nosso empreendimento não seria possível”.

Informações do Valor Econômico, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, Revista Globo Rural e Blog do Planalto, com edição do novaCana.com


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