Política

Criador do RenovaBio defende secretaria para planejar transição energética


EPBR - 23 nov 2022 - 08:57

A bioenergia no Brasil precisa de uma secretaria de energias renováveis, disse nesta terça-feira, 22, o diretor do Inmet, Miguel Ivan Lacerda, que é ex-diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME).

“Isso manda um sinal, estabelece o que precisa ser feito e dá uma nova direção”, justifica durante um evento do setor de biodiesel. “A palavra da vez é transição. É transição aqui, mas antes de tudo é transição no mundo. Quase 80% das emissões de CO2 equivalentes no mundo são causadas por combustíveis fósseis”.

De acordo com Lacerda, o mercado de soluções para descarbonizar a energia global movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano, investimento que o Brasil estaria deixando passar. “Se negamos a transição, ou a necessidade de uma estrutura que valorize a menor emissão de carbono, estamos jogando fora US$ 200 bilhões”, afirma.

O diretor do Inmet é um dos indicados do setor de biodiesel para atuar como consultor extraordinário no grupo temático de Minas e Energia. Ela também busca um espaço na equipe do novo governo.

Foco em renováveis

A ideia é que o MME tenha uma secretaria dedicada às políticas de transição energética, subdividida em três departamentos: energias da natureza, bioenergia, e novas energias e eficiência.

A proposta foi elaborada por servidores que, assim como Lacerda, participaram da formatação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), e será apresentada ao gabinete de transição para o governo Lula (PT).

Os mercados solar e eólico ficariam alocados em energias da natureza. Enquanto isso, novas energias e eficiência abarcaria novas tecnologias como hidrogênio verde. Já bioenergia se dedicaria às agendas de etanol e biodiesel, tendo o RenovaBio como norte.

Hoje, essas pautas estão difusas no governo, muitas vezes alocadas em secretarias de tradição fóssil. “Petróleo e gás são importantes para o Brasil e precisam ser estruturados. Mas a gente precisa dar um sinal para a bioenergia no país. Estruturar, dar uma força institucional”, defende Lacerda.

A proposta afirma que a nova secretaria poderia também resgatar os trabalhos do Combustível do Futuro. Lançado em abril de 2021, durante a gestão de Bento Albuquerque, o programa propôs uma sinalização ao mercado sobre o planejamento energético para a descarbonização do setor de transportes.

Vários dos subgrupos estavam dedicados a novas energias, como combustível sustentável de aviação, hidrogênio e combustíveis marítimos, captura e armazenamento de carbono.

A expectativa era que muitas dessas discussões fossem transformadas em marcos legais até meados deste ano. Mas, após a entrada de Adolfo Sachsida no MME, o programa sumiu do radar.

Nayara Machado

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