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Política

Novo CEO indica “preços de mercado” para Petrobras e quer interagir mais com poderes


Reuters - 18 abr 2022 - 08:12

A prática de preços de mercado de combustíveis pela Petrobras é condição necessária para atrair novos investimentos e garantir o abastecimento no Brasil, disse o novo presidente-executivo da empresa, José Mauro Coelho, nesta quinta-feira, durante cerimônia de sua posse.

Apesar de indicar a importância da política de preços em linha com a paridade de importação, até porque o país importa parte relevante de sua demanda, Coelho destacou que seria fundamental melhorar a comunicação com a sociedade e com os poderes executivo e legislativo, em momento em que os combustíveis estão pesando no bolso dos brasileiros.

O executivo substituiu o general da reserva Joaquim Silva e Luna, que desagradou o presidente Jair Bolsonaro após a empresa realizar, no início de março, um reajuste de cerca de 25% no valor do diesel nas refinarias e de quase 19% na gasolina, para alinhamento junto ao mercado internacional diante da disparada de preços do petróleo que veio na esteira da guerra entre Ucrânia e Rússia.

“Entendemos também que a prática de preços de mercado é condição necessária para a criação de um ambiente de negócios competitivo, para a atração de investimentos, para a atração de novos agentes econômicos do setor, para a expansão da infraestrutura do país e a garantia do abastecimento”, disse Coelho.

Segundo o executivo, que atuou anteriormente no Ministério de Minas e Energia durante o governo Bolsonaro, esse cenário “leva ao aumento da concorrência com benefícios para o consumidor brasileiro”.

Coelho foi confirmado como CEO nesta quinta-feira pelo novo Conselho de Administração da empresa, que foi eleito em assembleia de acionistas na véspera, quando os minoritários conseguiram aumentar o número de assentos para quatro.

O executivo afirmou também que a empresa não pode se esquecer de sua responsabilidade social e destacou a importância de melhorar a comunicação com a sociedade e a classe política.

“Farei uma gestão que trabalhará com todas essas questões internas da Petrobras que acabamos de ver e que estão aderentes ao plano estratégico da companhia, mas também uma gestão que valorizará o aperfeiçoamento da comunicação”, ressaltou.

“Buscaremos maior interação com a sociedade, temos que entender a importância que esta empresa tem para o brasileiro, muitas vezes não conseguimos ter comunicação que chegue de forma palatável ao povo brasileiro”.

Ele ainda disse que a empresa buscará maior interação com o Congresso Nacional e o Poder Executivo, após seu antecessor ter sido cobrado várias vezes por políticos e pelo próprio presidente Bolsonaro, que acenou com a possibilidade de dispensa de Luna dias após o reajuste de preços realizado em março.

Coelho, assim, declarou que buscará “maior interação com o Executivo federal e com os poderes executivos e legislativos dos estados”.

Será “uma Petrobras que trabalhará um pouco mais para fora também”, concluiu ele, que será o terceiro presidente-executivo da empresa na administração Bolsonaro.

O primeiro, Roberto Castello Branco, também caiu em função do descontentamento do presidente em relação à política de preços da estatal.

Coelho, aliás, fez um agradecimento a Deus e ao presidente Jair Bolsonaro pela oportunidade de comandar a principal empresa do país, no início de seu discurso. “Muito obrigado presidente Bolsonaro, trabalharei com toda dedicação e afinco para bem cumprir esta importante missão”, afirmou.

Mas ele ponderou que todas as ações “estão contidas no envoltório de uma governança corporativa robusta já existente, mas que pretendemos aprimorar ainda mais”.

Mesma estratégia

Em linhas gerais, o ex-secretário de petróleo, gás e biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, que trabalhou com o atual ministro da pasta, Bento Albuquerque, sinalizou que a companhia não terá alterações relevantes em seu plano estratégico e em sua gestão.

Coelho afirmou que a Petrobras seguirá focada na produção do pré-sal e em águas profundas, seus ativos essenciais, assim como continuará os desinvestimentos previstos nas áreas de refino, gás e em produção de petróleo em campos maduros.

Ele lembrou que os desinvestimentos tiveram papel importante na redução da dívida da empresa, que já foi a maior do setor de petróleo, e que a situação agora abre espaço para investimentos com “responsabilidade”.

O executivo destacou que o Brasil deve atingir a quinta posição entre os maiores produtores de petróleo até 2030, e que a estatal terá participação importante neste objetivo.

Em refino, o CEO reforçou que a estratégica da Petrobras é atuar na região Sudeste, perto dos grandes polos produtores de petróleo do pré-sal e também próximo do principal mercado consumidor de derivados.

Roberto Samora


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