Política

CBio precisa ser mais atrativo para investidores, afirma Tereza Cristina


EPBR - 21 jul 2020 - 07:38

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina defendeu neste fim de semana estímulos para que os créditos de descarbonização (CBios), do RenovaBio, sejam mais atrativos para investidores nacionais e estrangeiros.

“Ele [o CBio] precisa ser mais barato. Tenho convicção que este título em breve será muito atraente para os investidores que queiram comprar títulos verdes”, disse a ministra em entrevista à CNN, no domingo (19).

Tereza Cristina disse manter interlocução com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia) a respeito da tributação do CBio, que hoje é um dos principais entraves para a decolagem do programa.

Atualmente, circula entre os ministérios uma proposta de medida provisória que estabelece um modelo tributário definitivo.

Segundo a proposta, não haveria tributação sobre ganhos líquidos com a compra e venda de CBios em 2020. Seria aplicada uma tributação gradual a partir do ano que vem, começando com 5% em 2021, 10% em 2022, e chegando até 15% em 2023 e nos anos seguintes.

Internacionalização

Para a ministra, o setor sucroenergético sofreu nos últimos meses “uma tempestade perfeita”, referindo-se à queda no preço do petróleo e à redução na demanda como efeito da pandemia de covid-19.

“O setor está retomando. O petróleo subiu um pouco. Mas políticas públicas são muito importantes para nortear esse setor tão importante para nossa economia, e para a bioeconomia”, afirmou Tereza Cristina.

Segundo ela, há oportunidades do etanol no mercado externo, havendo grande interesse de países como China e Índia no programa brasileiro de produção do biocombustível, bem como no RenovaBio.

“Esse programa, quando a gente mostrou na Índia, eles ficaram encantados. Porque resolve um problema das grandes capitais do mundo, como Nova Deli, que possui um problema enorme de poluição. E que se usar um pouco de etanol, 10%, nós não teríamos etanol para fornecer para a Índia”, explicou a ministra.

“A Índia era uma esperança que eu tinha de fazer um trabalho mais efetivo esse ano. Gostaria de já ter voltado à índia, se não fosse a pandemia, porque eu vejo grandes oportunidades para o mercado brasileiro”, completa.

Tereza Cristina ainda afirmou que o Ministério da Agricultura, junto com outros ministros, vem trabalhando para transformar o etanol em uma commodity.

“O ministro Paulo Guedes sabe que precisamos tornar o etanol em um commodity, e o ministro Bento também”, afirma e completa: “Para o etanol se tornar uma commodity ele precisa ser mais vendido, fazer uma propaganda maior desse produto. Porque o setor sucroenergético é um programa de sucesso, de sustentabilidade, de energia limpa”.

Gabriel Chiappini