Política

Bancada Ruralista cobra contrapartida para Brasil zerar tarifa de etanol dos EUA

Parlamentares destacaram, em nota, que interesses norte-americanos não podem se sobrepor aos do Brasil


Globo Rural - 01 set 2020 - 07:36

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com as pressões feitas pelo governo e a iniciativa privada dos Estados Unidos para que o Brasil zere as tarifas de importação de etanol sem contrapartidas.

Em nota, a Bancada Ruralista no Congresso destacou ter “apreço” pela relação com os EUA: “[É um] país com o qual compartilhamos valores e ideais, mas os interesses norte-americanos não podem se sobrepor ao dos brasileiros”.

Deputados e senadores destacaram, ainda, apoio ao comércio livre e justo, “desde que não seja seletivo ao beneficiar apenas os interesses de outros países, quando há manutenção, por conveniência, de práticas protecionistas contra produtos brasileiros”.

Também observaram que o governo dos EUA tem isenção para até 750 milhões de litros por ano e, só a partir desse número, a tarifa é de 20%. “Portanto, zerar a alíquota prejudica os interesses nacionais do Brasil”, ponderam.

A cota em questão venceu ontem (31) e, sem a renovação, a tarifa de 20% passa a incidir sobre todas as importações de etanol.

A Bancada Ruralista ainda afirmou que “é de conhecimento público que a agricultura norte-americana sempre gozou de subsídios elevados, majorados ainda mais por ocasião da pandemia de covid-19”, citando a concessão de US$ 6,2 bilhões em subsídios pelo governo americano, sendo US$ 1,6 bilhão em favor da soja, milho e algodão.

Além disso, os parlamentares argumentam que uma solução de negociação seria a possibilidade de se buscar um balanço incluindo a abertura dos mercados ao açúcar. “O Congresso apoia a política de abertura comercial implementada pelo atual governo, mas destaca a necessidade de que o processo seja conduzido de forma a assegurar ganhos reais ao nosso país”, colocam.

A nota dos parlamentares ligados ao agronegócio termina ressaltando que, “caso não haja contrapartida equivalente dos EUA, manifestamos nosso pedido à presidência da República para que as cotas não sejam renovadas e que a tarifa externa comum de 20%, vigente desde 1995 como resultado do acordo Mercosul, seja aplicada”.