Política

Apesar de decreto, indústrias sucroenergéticas de Goiás devem continuar operando


RPA News - 20 mar 2020 - 14:30

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), assinará um decreto que prevê restrições ao funcionamento de indústrias do Estado por 15 dias. O texto deve ser publicado hoje, 20, e endurece e ressalta que apenas funcionarão atividades econômicas essenciais para a manutenção da segurança alimentar, hospitalar e pública. As indústrias do setor sucroenergético devem entrar no hall de atividades essenciais.

De acordo com o jornal O Popular, o novo texto é complementar ao que havia sido decretado e deve proibir trabalho presencial nas empresas privadas de toda a cadeia produtiva, estabelecendo exceções.

Poderão trabalhar aquelas empresas que produzem medicamentos, materiais hospitalares, alimentos, produtos de higiene e limpeza, gás de cozinha, combustíveis, rações animais, produtos agropecuários, sistema bancário e financeiro, portarias e vigilância patrimonial, transportes (público, táxi e aplicativos), lavanderias hospitalares, hospitais, laboratórios de exames clínicos e imagem e dentistas para atendimentos de urgência. Os restaurantes funcionarão apenas em modo delivery.

Usinas sucroenergéticas

Das cinco unidades que produzem etanol de milho, quatro já estão em safra e uma já parou, devendo retornar a atividade no fim da safra de cana, provavelmente em novembro. Três unidades sucroenergéticas já iniciaram suas safras em Goiás.

De acordo com o presidente-executivo dos sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg e Sifaçúcar), André Rocha, o setor sucroenergético está inserido dentro das empresas que garantem o abastecimento do Estado, tanto em função da produção de açúcar, que é alimento, quanto na produção do álcool 70, para poder atender hospitais, e na questão do abastecimento de energia e combustíveis.

“A princípio, na reunião com o Governador, entendemos que tais atividades seriam permitidas, mas assim que sair o decreto teremos conhecimento e saberemos o que será restrito”, afirmou à RPAnews.

Ainda de acordo com ele, não é possível dizer que não haverá impactos na safra de cana do Estado. “A questão não é só colher a cana. Acho que o mercado vai ter que sintonizar o que vai ocorrer pela própria demanda do consumo de etanol e de açúcar, pela questão da exportação. É preciso ver se as usinas vão querer colher toda a cana do campo e processar”, afirma e completa: “Também não sabemos se essa paralização de atividades econômicas de maneira geral não vai causar nenhum tipo de nó logístico. Por hora, vamos fazer a safra que estava planejada. Mas acredito que durante o ano e, à medida em que se prolongar o problema do coronavírus, alguns ajustes com certeza serão feitos”.

Para Fernando Perri, membro do Comitê Gestor da unidade Anicuns, do Grupo Farias, localizada em Goiás, muitas dúvidas existem com relação ao decreto do governador do Estado. Ainda assim, ele admite que o momento atual exige que os grupos apoiem todas as medidas que venham preservar vidas.

“A situação é muito grave e o governador Caiado, como governador e médico, tem tomado atitudes duras, mas necessárias. Nosso grupo já havia tomado iniciativas neste sentido, tais como home office, separação dos turnos, esclarecimentos sobre o Covid-19 aos funcionários e a suspenção de viagens e visitas”, diz Perri.

Ainda segundo ele, a diretoria do Grupo Farias apoia todas as medidas necessárias para segurança de seus colaboradores e da sociedade. “Tomamos iniciativa de, em parceria com a sociedade civil, abastecer os pontos vitais das cidades de influência de nossas empresas com álcool 70”, garante.