Política

Aeronave de Eduardo Campos foi vendida há 3 meses por grupo usineiro de Ribeirão


Agências - 14 ago 2014 - 09:01
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O avião que levava o ex-governador Eduardo Campos está registrado no nome do grupo AF Andrade Empreendimentos e Participações, uma holding de Riberão Preto que atuava nas áreas de usinas de cana de açúcar e etanol. O grupo enfrentava dificuldades financeiras. Em julho, teve aprovado na Justiça pedido de recuperação judicial e proteção aos credores.

O presidente da holding, José Carlos de Andrade foi dono de uma usina de etanol na região de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, mas que foi vendida há alguns anos para o grupo Tereos, controladora da sucroalcooleira Guarani.

A holding hoje controla a usina São Simão, em Minas Gerais e outra unidade em Rio Verde, Goiás. A empresa estava em dificuldades financeiras e teve seu pedido de proteção contra credores aprovado pela Comarca de Santa Vitória (MG) há menos de um mês, no dia 15 de julho. A usina ainda não iniciou a moagem de cana da safra 2014/15 por falta de recursos para pagar fornecedores de cana e retomar a operação.

Segundo o Valor Econômico, em 2010, os sócios da usina Andrade foram acusados de realizar venda de uma mesma carga de etanol para dois compradores diferentes, entre eles a Petrobras.

A Folha de S. Paulo apurou que o avião foi vendido há cerca de três meses, por US$ 7 milhões, para um empresário de Alagoas -que o teria emprestado à campanha. No registro da Anac, o avião continua no nome do grupo Andrade. Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, a aeronave, que estava alienada à Cessna Finance Export Corporation, era de uso dos executivos da AF Andrade, mas, devido às dificuldades financeiras do grupo, o avião havia sido disponibilizado para locação.

Aeronave
A aeronave foi entregue com cerca de 350 horas de voo à campanha de Campos, segundo Fabiano de Camargo Peixoto, que foi co-piloto do avião por um ano e meio. O modelo tinha capacidade para transportar até 12 passageiros, transportar até 9 toneladas e possuía dois motores à jato.

Peixoto afirmou que seu último voo nela foi em maio, com Campos a bordo. "Foi um voo de demonstração para ele, que gostou da aeronave."

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a aeronave acidentada nesta manhã estava em situação regular, com "todos os certificados em dias". A última inspeção aconteceu em janeiro, com validade até fevereiro de 2015. Também o certificado de aeronavegabilidade, que confirma as condições operacionais do avião, estava válido até 2017.

Com texto adicional da Folha de S. Paulo, Valor Econômico e Agência Estado
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