Etanol

Petrobras economizará US$ 1,7 bi com aumento da mistura de etanol e biodiesel


Brasil Econômico - 04 set 2014 - 17:07 - Última atualização em: 12 set 2014 - 09:32

Depois de comemorar sete meses consecutivos de aumento da produção de petróleo, a Petrobras recebeu na noite de anteontem uma nova boa notícia, com a aprovação, pelo Senado, do aumento da mistura biocombustíveis na gasolina e no diesel vendidos no país. Com mais etanol na gasolina, mudança que depende ainda da conclusão de testes sobre seus impactos nos motores, a empresa pode economizar até US$ 785,8 milhões por ano em importações do derivado de petróleo. Somado ao aumento da mistura de biodiesel no diesel de petróleo, a economia com importações de combustíveis pode chegar a US$ 1,724 bilhão, de acordo com cálculos feitos pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A importação de combustíveis a preços mais altos do que os praticados no mercado interno é um dos principais fatores de pressão sobre as contas da Petrobras. No primeiro semestre deste ano, a área de abastecimento da estatal registrou um prejuízo de R$ 3,88 bilhões. Diante da falta de interesse, pelo governo, em autorizar reajustes nos preços internos, o aumento da mistura de biocombustíveis é visto como alternativa para reduzir as perdas. "O maior percentual de etanol (27,5%) resultará em uma redução no consumo de gasolina de 18,6 mil barris diários, considerando a média da demanda entre agosto de 2013 e julho de 2014", informou o CBIE.

Já no caso do diesel, o aumento da mistura de 5% (percentual vigente no início do ano),para 7% resulta em uma redução de 20,4 mil barris diários no consumo do derivado de petróleo no país. Entre janeiro e julho de 2014, o Brasil importou 9,9 milhões de barris de gasolina e 38,6 milhões de barris de diesel, ao custo de US$ 6,1 bilhões, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além de pressionar as contas da Petrobras, as compras externas de combustíveis representam um dos principais impactos na balança comercial brasileira.

"A aprovação do aumento da mistura reduziria a necessidade de importação de nafta e de gasolina pela Petrobras, vendida no mercado doméstico abaixo do preço internacional. Desde 2011 a companhia importou quase 9 bilhões de litros de gasolina gerando um déficit à balança comercial do país", comentou, em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. A entidade, que representa os produtores de etanol, também comemorou a notícia, que tem potencial para ampliar o consumo interno de etanol anidro (que é misturado na gasolina) em mais de 1 bilhão de litros por ano.

A Unica frisou que "não há razão para alarmismo e manifestações prematuras uma vez que todas as partes interessadas estão diretamente envolvidas", referindo-se ao alerta das montadoras sobre os impactos nas emissões de particulados com um percentual de etanol acima de 25%. Os efeitos sobre os motores estão sendo testados no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), em trabalho coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e acompanhado por ministérios e entidades envolvidas. Após a conclusão dos testes, o texto que autoriza o aumento da mistura de etanol ainda precisa ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff.

A expectativa do mercado é que, com a pressão da Petrobras e dos usineiros — que põem a crise financeira do setor na conta da política de represamento dos preços dos combustíveis vigente nos últimos anos — não haverá obstáculos à sanção pelo Executivo. "O impacto no preço da gasolina para o consumidor final, já que o preço do etanol é inferior ao da gasolina, e os ganhos importantes em termos ambientais, de saúde pública e até para a balança comercial brasileira, estão entre as principais vantagens a favor dessa medida", argumenta a Unica.

Com o crescimento sustentado da produção e a esperada economia com importações de combustíveis, a Petrobras reduz a pressão sobre suas finanças, apontada por analistas como principal fator de risco para a companhia. Ao final do primeiro semestre, a estatal tinha uma dívida líquida de R$ 241,3 bilhões e índice de alavancagem de 40%, acima do limite de 35% imposto pelo Conselho de Administração e considerado aceitável por agências de classificação de risco. Na divulgação do balanço, a direção da companhia reforçou cobrança sobre o governo de reajustes de preços como solução para as perdas com venda de combustíveis.

Os preços continuam defasados com relação ao mercado externo, mas em um patamar inferior ao verificado no primeiro semestre, em função da queda das cotações internacionais. Com base em dados do dia 25 de agosto, o CBIE calculou que a defasagem do preço da gasolina era de 15,2%. No caso do diesel, a diferença entre a cotação do Golfo do México (usada como referência para o mercado do Atlântico) e o preço de venda nas refinarias brasileiras era de 8,6%.