Etanol: Mercado

Para StoneX, demanda global por etanol deve ficar aquecida em 2022

Segundo estudo da inteligência de mercado da consultoria, a urgência de enfrentamento da crise climática indica a necessidade de se investir cada vez mais no setor de biocombustíveis e veículos elétricos


StoneX - 23 nov 2021 - 09:00

Em 2022, a demanda global por etanol deve alcançar cerca de 97 bilhões de litros, aponta uma análise da inteligência de mercado da StoneX. De acordo com a consultoria, após a pandemia de covid-19 ter pressionado a procura por combustíveis ao redor do mundo em 2020, este ano trouxe mais otimismo para a recuperação da demanda por gasolina e, consequentemente, por etanol. Com exceção do Brasil, o biocombustível costuma ser utilizado como aditivo nos principais mercados consumidores globais, como Estados Unidos, União Europeia e China.

Um estudo desenvolvido pelo grupo e divulgado nesta terça-feira, 23, aponta que, apesar do progresso da vacinação e do aumento dos níveis de mobilidade ao redor do mundo, os preços elevados do petróleo se colocam como fator de entrave ao crescimento mais significativo do consumo de combustíveis fósseis.

Ao mesmo tempo, a urgência de enfrentamento da crise climática, tal como abordado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), indica a necessidade de se investir cada vez mais no setor de biocombustíveis e veículos elétricos. “O etanol ganha destaque nesse contexto, ainda que a intensificação da covid-19 em algumas regiões possa limitar o consumo no curto prazo”, afirmou a StoneX, em relatório.

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Brasil: etanol e eletrificação

No Brasil, conforme aponta a StoneX, as perspectivas econômicas têm se deteriorado desde o primeiro semestre de 2021. Uma aceleração inflacionária com múltiplos focos de pressão de custos associada a uma constante e desorganizada alternância de prioridades na agenda econômica do governo federal provocou revisões frequentes da perspectiva de crescimento econômico, inflação, câmbio e juros para o país.

Sob esse ambiente econômico menos propício ao crescimento, marcado por perda de poder de compra e política monetária contracionista, a consultoria acredita que o consumo tende a se enfraquecer, pesando de maneira geral sobre a demanda da indústria e do setor de serviços. O desempenho positivo do agronegócio e de algumas atividades de serviços, por outro lado, podem atenuar o resultado mais fraco dos demais setores.

Como consequência destes fatores, a StoneX espera que o consumo de combustíveis do ciclo Otto alcance cerca de 52 bilhões de litros em 2021, avanço anual de 5,5%, com a gasolina assumindo maior protagonismo. No Centro-Sul, principal região consumidora, a paridade de preços entre o etanol e a gasolina já alcança 81,4%, tendência que deve se manter até março de 2022, dado o período de entressafra da cana no cinturão canavieiro – com menor oferta de etanol.

Ainda segundo as projeções da consultoria, a demanda nacional por hidratado deve ser próxima de 17 bilhões de litros no ano corrente, representando recuo anual de cerca de 13%. Em paralelo, a demanda por anidro deve se elevar, para nível em linha com 11 bilhões de litros. Ainda assim, a StoneX acredita que os preços dos combustíveis em patamares elevados podem dificultar o avanço da mobilidade urbana nos próximos meses, atuando como fator de pressão sobre a demanda por ciclo Otto.

Para 2022, a StoneX projeta que o consumo de ciclo Otto no Brasil se amplie em 2,2%, perspectiva que ainda dependerá das tendências para os preços dos combustíveis no mercado brasileiro. “Parece provável que as usinas direcionem maior volume de cana à produção de etanol, favorecendo sua competitividade nas bombas”, indicou o grupo, em relatório.

No ciclo 2022/23 (abril a março) do Centro-Sul, a consultoria estima que o consumo de hidratado seja próximo de 16,7 bilhões de litros (+18,3%), ao passo que o de anidro totalize 7,7 bilhões de litros (-3,4%).

Assim como nos demais mercados, as perspectivas para a eletrificação da frota brasileira também são positivas, ainda que tal crescimento esbarre em fatores limitantes de infraestrutura e custos elevados. A venda de veículos híbridos e totalmente elétricos alcançou um recorde de 14 mil unidades no primeiro semestre de 2021, crescimento anual de 80%.

Esta expansão deve ganhar força no longo prazo, com os veículos elétricos podendo representar 62% da frota brasileira até 2035, segundo projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) citadas pela consultoria.

Para isso se concretizar, contudo, maiores investimentos e subsídios deverão ser concedidos ao setor. Levando em consideração que o ambiente ainda se mostra adverso à penetração dos elétricos, a StoneX projeta que esta frota ainda represente 0,2% e 0,3% do total de veículos em 2021 e 2022, respectivamente.

Embora tenha impacto negativo sobre o consumo de ciclo Otto nos próximos anos, a consultoria acredita que é preciso ponderar que o etanol deve ganhar destaque neste contexto, já que o mercado brasileiro deve apostar no biocombustível em seus projetos de eletrificação, especialmente de híbridos.

Estados Unidos: demanda estável

Nos Estados Unidos, apesar do início de 2021 ter registrado um consumo de gasolina abaixo das médias sazonais, o avanço das campanhas de vacinação e dos níveis de mobilidade permitiram uma recuperação da sua procura. Segundo a StoneX, a “driving season” de 2021 encerrou com uma demanda em linha com o observada em anos anteriores e a expectativa é que o consumo de gasolina encerre o ano superando 510 bilhões de litros, avanço anual de 9%.

Além disso, ainda de acordo com a consultoria, se a taxa de mistura do etanol no país norte-americano se mantiver próxima de 10,3%, a demanda pelo biocombustível deve seguir em 52,7 bilhões de litros – nível ainda aquém do registrado em 2019, de 55,1 bilhões de litros.

Entre 2019 e 2022, as estimativas da StoneX apontam para um crescimento de 66% da eletrificação da frota norte-americana, tendência que deve ganhar maior força no longo prazo, em meio aos incentivos do governo Biden para que metade das vendas de novos veículos sejam de elétricos até 2030.

Diante de todo o contexto analisado, o estudo divulgado pela inteligência de mercado do grupo acredita em um avanço de 3% no consumo anual de gasolina nos EUA em 2022. “Considerando que a taxa de mistura do etanol deve se manter relativamente estável, conforme os entraves enfrentados para ampliação desta porcentagem no país, espera-se que o consumo do biocombustível alcance pouco mais de 54,0 milhões de m³ no próximo ano”, observou.

Europa: desaceleração do consumo

Já na União Europeia, a perspectiva é que o ritmo saudável de crescimento econômico de 2021 se mantenha em 2022. Para 2021, a StoneX espera que o avanço da vacinação e a retomada da mobilidade urbana tenham contribuído para crescimento do consumo de gasolina e etanol, projetados para alcançar 106 bilhões e 6 bilhões de litros, respectivamente.

Para 2022, a tendência é de desaceleração do consumo do combustível fóssil, em meio à firme expansão do mercado de veículos elétricos e incentivos voltados à transição energética. Por isso, a StoneX projetou que a procura por gasolina em 2022 deve se situar próxima de 105 bilhões de litros no bloco europeu.

De acordo com as analistas, a menor procura por gasolina tende a pesar sobre a procura por etanol, embora o avanço da taxa de mistura para 6% tenda a mitigar essa dinâmica. Com isso, a expectativa da consultoria é que o consumo do renovável totalize 6,3 bilhões de litros em 2022, aumento anual de 4,3%.

China: eletrificação em alta

Na China, o panorama econômico tem somado diversos desafios, limitando suas projeções de crescimento para os próximos dois anos. Ainda que deva figurar entre os países que mais crescem, sua taxa de expansão para 2021 e 2022 deve ser significativamente aquém das projeções iniciais, aponta a StoneX.

Em paralelo à desaceleração econômica do país, o avanço do consumo de combustíveis em 2022 também é pressionado pela expansão dos veículos elétricos. Nos últimos anos, Pequim tem realizado um incentivo crescente a esse setor, especialmente na forma de subsídios à produção e infraestrutura para estações públicas de carregamento.

Com isso, a meta governamental é que esse tipo de automóveis represente 40% de todas as vendas de carros até 2030. Ao mesmo tempo, tem crescido a participação de fabricantes chinesas nas vendas de outras regiões, com destaque para a Europa.

No entanto, a crise energética atual ainda se coloca como um ponto de atenção para o avanço da eletrificação da frota chinesa. Por isso, a StoneX projetou um crescimento mais moderado da participação de elétricos e híbridos até 2022. Apesar disso, o aumento da população do país ainda deve corroborar expansão do consumo de gasolina para nível próximo de 210 bilhões de litros em 2022, podendo representar uma alta anual de 3,3%.

Com relação ao etanol, a consultoria espera que a taxa de misture avance apenas 0,2 pontos percentuais entre 2021 e 2022 na China, levando a demanda pelo biocombustível para 4,8 bilhões de litros, aumento anual de 13,1%. O crescimento será puxado, sobretudo, pela expectativa de aumento do PIB, ainda que inferior ao observado nos últimos anos.

Índia: etanol em crescimento

Por fim, a StoneX também destaca o mercado da Índia, onde etanol deve ganhar cada vez mais relevância nos próximos anos, dados os crescentes incentivos ao setor.

De acordo com a StoneX, o consumo do biocombustível deve ficar próximo de 3 bilhões de litros em 2022, conforme avanço da taxa de mistura e da capacidade de destilação nacional.


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