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Etanol: Mercado

São Martinho espera aumento do consumo de etanol na bomba

Para a companhia, o preço do etanol já se acomodou, tornando o consumidor mais propenso a demandar o combustível


InfoMoney - 16 fev 2022 - 08:17

Na divulgação ao mercado do balanço do terceiro trimestre do ano safra 2021/22, realizada nesta terça-feira, 15, por teleconferência, a São Martinho destacou que tem expectativa de queda no preço do etanol hidratado para cerca de R$ 3 por litro.

“É uma queda forte”, avaliou o diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, Felipe Vicchiato, ressaltando que o preço andou na casa dos R$ 4/L.

“O preço já se acomodou. Com a queda, o consumidor fica mais propenso a comprar o etanol sem fazer a conta (com a gasolina)”, diz. O executivo, lembra, porém, que é preciso avaliar se a gasolina não aumentará de preço.

Sobre o projeto que caminha no Congresso sobre a diminuição tributária do combustível, ele disse que, se atingir no âmbito do PIS/Confins, o impacto no etanol seria de 10 a 15 centavos a menos por litro. Já se envolver o ICMS, ele avalia que se trata mais de uma questão de congelar o valor do combustível.

Na teleconferência com analistas, Felipe Vicchiato apontou dois custos preocupantes na próxima safra da cana de açúcar, a partir de abril: fertilizantes e diesel.

“Fertilizante deve subir algo em torno de 15% – e já vem de uma base mais alta. Ele responde por 7% do custo total. O diesel deve subir algo em torno de 15%; ele representa 8% do custo total. Esses são dois grandes ofensores”, afirma.

Sobre o futuro, ele disse que o Brasil não deve crescer muito a produção de açúcar. O diretor afirmou ainda que o mercado olha com atenção a Índia, que autorizou o uso de etanol como combustível e deve mexer fortemente com o mercado global de açúcar.

Usina de etanol de milho

Vicchiato explicou ainda com mais detalhes o fato relevante publicado nesta segunda, 14, sobre a revisão de investimento para a planta de etanol de milho em Goiás. A unidade anexa à usina Boa Vista custaria R$ 640 milhões, mas o valor foi acrescido em R$ 100 milhões.

Segundo o executivo, R$ 30 milhões dos R$ 100 milhões se deve a inflação acima do esperado no aço, cimento, entre outros insumos. Já os R$ 70 milhões restantes seriam “efetivamente de adequação do projeto”.

“Vimos oportunidade de suprimento de energia da planta. As principais mudanças: a planta de etanol de milho vai produzir só (etanol) anidro; e a planta de etanol de cana-de-açúcar só (produzirá etanol) hidratado”, disse.

O diretor explica que a produção de anidro tem muito menor consumo de energia e de vapor, o que facilitaria uma possível ampliação. Vicchiato disse que a planta da companhia terá o custo de etanol mais barato do setor.

O início da operação plena está previsto para outubro de 2022, com o processamento de 500 mil toneladas de milho e capacidade de produção adicional para a companhia de aproximadamente 210 milhões de litros de etanol, 150 mil toneladas de grãos secos de destilaria (DDGS) e 10 mil toneladas de óleo de milho.

Inaugurada em 2008, a usina Boa Vista fica situada em Quirinópolis (GO). A planta de produção de etanol a partir do milho fica anexa ao empreendimento da São Martinho já em operação.

Resultado marginalmente negativo

O Bradesco BBI, na análise do balanço do terceiro trimestre do ano safra 2021/22, informou que, apesar do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) 8% acima do previsto para o período, a visão do banco “é marginalmente negativo que a São Martinho anunciou que precisará investir mais R$ 100 milhões em seu projeto de etanol de milho – enquanto a capacidade esperada da planta não mudou”.

Os destaques dos resultados do lucro líquido de R$ 697 milhões, de acordo com o Bradesco BBI, são os preços de etanol e açúcar mais fortes do que o projetado, compensando o impacto negativo de volumes menores de etanol e energia.

Já o Morgan Stanley informou que o forte ambiente de preços de commodities continua a ajudar a São Martinho a superar os efeitos dos eventos climáticos, que atingiram a safra no final do ano passado. “As margens foram fortes e as perspectivas para 2023 são de níveis ainda melhores. O clima melhorou e o principal risco hoje está relacionado às políticas de combustível no Brasil”, relatou.

As chuvas ocorridas nesse início do ano, no período de entressafra, foram superiores ao mesmo período do ano passado. Assim, a expectativa do mercado é de recuperação, ao menos parcial, da produtividade nos canaviais na próxima temporada, que começa em abril.

Augusto Diniz


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