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Etanol: Mercado: Regulação

Rodrigues critica falta de estratégia para setor sucroalcooleiro


Agência Estado - 13 nov 2012 - 18:12 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, disse nesta terça-feira que "lamentavelmente o governo não tem estratégia para o setor sucroalcooleiro". Fundador e primeiro presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Orplana), no fim dos anos 1970, Roberto Rodrigues afirmou que encara a atual crise com ´muita tristeza, pois a inação do governo está destruindo um setor que poderia representar uma mudança de paradigma no cenário mundial´.

Na avaliação do ex-ministro, as soluções para o setor, principalmente no caso do etanol, são de "uma obviedade cristalina". Ele defende o realinhamento dos preços da gasolina, observando que os valores estão abaixo das cotações mundiais, o que gera prejuízos para a Petrobras e para toda sociedade brasileira. Rodrigues disse que o argumento de que não se deve aumentar o preço da gasolina porque poderia pressionar a inflação não se justifica, "porque quem sempre paga a conta no fim é o contribuinte".

Na opinião de Roberto Rodrigues, outras duas questões prioritárias são a solução para o problema tributário da cadeia produtiva e a desburocratização do crédito para investimento no setor. Ele lembrou que, em virtude da crise atual, o acesso ao crédito esbarra na falta de garantias. "A usina que está devendo não consegue pegar dinheiro novo, mas o que adianta emprestar para quem não precisa", comentou ele, alertando que, o setor continuará em crise enquanto estas questões não forem resolvidas, "pois ninguém vai querer investir em uma atividade que não está dando lucro".

Roberto Rodrigues está em Brasília nesta terça-feira para participar como um dos debatedores do seminário ´Centro-Oeste - Tempo 3´, fórum que discute as bases para o planejamento estratégico visando o desenvolvimento sustentável da região. No encontro, Rodrigues defendeu a formação de estoques estratégicos globais de grãos, visando a segurança alimentar do planeta. Ele salientou que a recente quebra da safra norte-americana mostrou a importância estratégica dos estoques. "Tem de ser uma coisa esterilizada (que não pressione os mercados), de governança global, e não de um país", afirmou ele, que sugere a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) como gestora dos estoques.

Na visão do ex-ministro, a segurança alimentar deve levar em conta produção, estocagem e políticas de sustentação de preços de caráter universal. Entretanto, informou ele, os governos (dirigentes) dos países desenvolvidos são de formação urbana e pensam na segurança alimentar apenas sob a ótica do abastecimento, deixando em segundo plano a produção. "Isso se deve ao fato de o abastecimento dar votos, pois todo mundo é consumidor", argumentou ele, lembrando que o Brasil "tem responsabilidade enorme no que diz respeito à produção, porque aqui está o grande Maracanã onde será jogada a Copa do Mundo da segurança alimentar, sobretudo o cerrado brasileiro", concluiu.