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Etanol: Preços

Preço do etanol sobe a reboque dos ataques na Arábia Saudita

Segundo Cepea, alta ocorre devido a expectativa de elevação da demanda desse combustível


Folha de S. Paulo - 17 set 2019 - 15:55

O preço do etanol reagiu nesta segunda-feira (16) aos atentados ocorridos em refinarias da Arábia Saudita. A pesquisa diária dos valores do tipo hidratado, feita pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), indicou R$ 1,784 por litro, 1,83% a mais do que na última sexta-feira (13).

De acordo com o Cepea, a alta ocorre devido a uma expectativa de elevação da demanda desse combustível, em vista de possível aumento nos preços internos da gasolina.

Já Antonio Padua Rodrigues, diretor da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), afirma que a alta é um movimento normal de mercado, que está com a demanda bastante aquecida.

Diferentemente do que ocorre com os valores da gasolina e do diesel, o preço do etanol não sofre nenhum tipo de regulação ou política institucional e oscila livremente. O setor também é pulverizado em centenas de empresas que concorrem entre si e não há um grupo econômico majoritário capaz de influenciar o preço final, como ocorre no caso da Petrobras no segmento de petróleo.

O setor já caminha para a colheita da parte final da cana – resta um terço – e, diante de uma oferta aquecida, os ajustes vão ser feitos via mercado, segundo o diretor da Unica.

A safra 2019/20 de cana-de-açúcar tem um foco mais alcooleiro do que açucareiro. A demanda interna tem permitido às usinas valores melhores para o etanol do que para o açúcar, devido ao preço fraco deste no mercado externo.

Os dados mais recentes da Unica indicam que, de cada 100 toneladas de cana colhidas na região centro-sul neste ano, pelo menos 64,5 delas vão para a fabricação do combustível.

A boa oferta de etanol hidratado, apesar da forte demanda, tem mantido os preços do combustível favoráveis aos consumidores.

No estado de São Paulo, um dos principais produtores de cana e do combustível, os preços do etanol correspondem a apenas 64,4% dos da gasolina. Pesquisa indica que, quando essa relação fica abaixo de 70%, a utilização do etanol hidratado é mais vantajosa do que a da gasolina.

Em algumas cidades paulistas essa relação é ainda mais favorável. Os consumidores de Adamantina e de Dracena pagam apenas 57% e 59,7%, respectivamente, pelo álcool, em relação aos valores da gasolina.

Cálculos da Unica mostram que 50% da frota brasileira de veículos está localizada em municípios com paridade de preços entre etanol hidratado e gasolina abaixo de 67%.

As vendas acumuladas de etanol nesta safra somam 14,2 bilhões de litros. Deste volume, 9,9 bilhões são de álcool hidratado. Essas negociações superam em 18% as de igual período do ano passado. A safra de cana 2019/20 teve início em abril.

Uma manutenção dessa alta de preços do etanol nas usinas, e consequente repasse para as bombas, pode mexer com a inflação. Do início de abril ao final de agosto, os preços do etanol tiveram queda de 7,2% para os consumidores paulistanos, conforme pesquisa de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No mesmo período, a gasolina teve alta de 1,3%.

A pesquisa diária de preços do etanol hidratado em Paulínia (SP), feita pelo Cepea, serve de base para a liquidação dos contratos futuros desse combustível na B3. Os preços não contêm impostos (ICMS e PIS-Cofins).

Ao registrar R$ 1,784 por litro nesta segunda-feira, o etanol interrompe um período de queda e retorna aos patamares de há um mês.

Estão longe, contudo, do maior valor registrado pelo combustível neste ano: R$ 2,1 por litro em abril.

Mauro Zafalon