Etanol: Preços

Preço do etanol cai 16%, mas é o maior da história para um início de safra

Consumo de combustível neste ano não teve a mesma redução de 2020, mas usinas ainda esperam normalidade da economia


Folha de S. Paulo - 13 abr 2021 - 07:59

Após ficar próximo de R$ 3 por litro na primeira quinzena de março, o etanol hidratado teve forte recuo na última semana do mês na porta das usinas.

O litro caiu para R$ 2,31, uma retração de 16% em comparação com o valor da semana imediatamente anterior. Foi a maior queda semanal durante toda a safra passada, que terminou em março, diz Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Mesmo após essa queda, o combustível inicia a safra 2021/22 com valores reais recordes. Em Paulínia, base de armazenamento e distribuição da região Centro-Sul, o litro foi comercializado a R$ 2,517 nesta segunda-feira, 12, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa.

Com base no IPCA, esse é o maior valor registrado pelo produto neste período do ano desde o início da série de acompanhamento diário do Cepea. O valor teria sido ainda maior, mas o setor terminou a safra com um estoque de passagem bastante elevado.

O pico da alta nas usinas ocorreu na primeira semana de março, quando o preço de venda do litro, pelo produtor, foi de R$ 3,50, incluídos os impostos. Duas semanas depois, o preço na bomba atingia R$ 3,981 por litro no estado de São Paulo.

O aumento nesse período ocorreu devido aos sucessivos reajustes nos preços da gasolina, em plena entressafra da cana, o que deixou o etanol mais competitivo.

Na sequência, devido aos estoques acima do normal para o período e a uma redução de atividade da economia, por causa das medidas mais severas de distanciamento social, os preços recuaram.

Algumas usinas já iniciaram a moagem da safra 2021/22. Outras, no entanto, aguardam uma melhora da cana-de-açúcar, prejudicada pela seca.

A pandemia preocupa o setor. O consumo de combustível neste ano não teve redução tão acentuada como em 2020, mas o cenário ainda está incerto. As usinas esperam que a vacinação avance e devolva uma normalidade à economia.

A safra deve seguir seu ritmo, mas há uma preocupação com a qualidade da matéria-prima. O açúcar já está praticamente todo comercializado, e as usinas podem não ter ATR (açúcar total recuperável) para a produção esperada.

A quantidade e a qualidade da cana disponíveis vão determinar o rendimento. Em algumas regiões, devido à seca, as usinas poderão ter de comprar cana de terceiros ou refazer contratos já assumidos.

Esta deverá ser novamente uma safra açucareira. “Voltamos à normalidade. Novas variedades e manejo adequado estão permitindo um ATR obtido antes da mecanização. Isso faz uma grande diferença”, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No caso do etanol, Padua acredita que o diferencial de preços entre o derivado da cana e a gasolina vai continuar levando o consumidor ao uso do álcool.

No caso do açúcar, o setor volta à produção de um volume próximo de 38 milhões de toneladas na região centro-sul. Os dados mais recentes da Unica, para a safra 2020/21, indicam moagem de 600 milhões de toneladas de cana e produção de 38,3 milhões de toneladas de açúcar.

A produção de etanol soma 30 bilhões de litros até a primeira quinzena de março. Desse volume, 20,3 bilhões foram de etanol hidratado.

Mauro Zafalon


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