Etanol: Preços

Preço dos combustíveis nos postos registra o maior aumento de 2021

Etanol hidratado sobe 7,93% enquanto gasolina tem aumento de 5,15%; pesquisa foi realizada em 175 municípios


NovaCana - 02 mar 2021 - 12:47 - Última atualização em: 02 mar 2021 - 15:01

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 21 a 27 de fevereiro:

paridade 01 mini tabela 21.02a27.02

  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 5,15% e o do etanol, 7,93%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 70,5% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Goiás e Mato Grosso

  4. O biocombustível segue subindo nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 175 municípios, sete a mais do que na semana anterior


A semana de 21 a 27 de fevereiro registrou expressivos aumentos nos preços dos combustíveis nos postos do país. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No caso do etanol, o aumento foi de 7,93%, a maior variação semanal em anos, passando de R$ 3,378 por litro para 3,646/L. O acréscimo também pode ser observado no valor pelo qual o hidratado é comercializado nas usinas dos principais estados produtores.

Conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o renovável subiu 7,25% em São Paulo, indo de R$ 2,527 para R$ 2,71 o litro, 7,89% em Mato Grosso e 10,04% em Goiás entre 22 e 26 de fevereiro.

Já a gasolina passou de R$ 4,917/L para R$ 5,17/L, um acréscimo de 5,15%. Neste caso, a relação entre o preço nas bombas e nas refinarias não é tão direta, já que envolve impostos e outras cobranças.

Ao longo de 2021, o valor da gasolina nas refinarias já sofreu cinco reajustes pela Petrobras, tema que inclusive vem sendo ironizado pelo presidente Jair Bolsonaro. Na sua opinião, o ex-presidente da petrolífera Castello Branco poderia ter buscado formas de reduzir o preço dos combustíveis, porém não o fez.

A demissão de Castello Branco foi divulgada por Bolsonaro em suas redes sociais no último dia 19. Conforme a publicação, ele será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional.

Com estes aumentos para ambos os combustíveis, porém maior para o renovável, o hidratado foi desvalorizado perante a gasolina. Na semana analisada, a relação entre os preços ficou em 70,5%, acima do limite comercialmente estabelecido como favorável para o biocombustível, de 70%.

O aumento de 2,62% no indicador é o maior desde abril de 2019, registrando a primeira vez em que o preço médio do etanol é desfavorável perante a gasolina em seis meses.

paridade 02 percentual estados 21.02a27.02

É importante reiterar que essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 175 municípios, sete a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 21 a 27 de fevereiro, o preço do etanol subiu na média de todos os estados e no Distrito Federal. Além disso, mais uma vez, o hidratado não pôde ser comparado no Amapá. A gasolina também apresentou aumento em todos os estados.

paridade 03 comparativo estados 21.02a27.02

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o preço médio do renovável subiu 8,47%, o terceiro maior aumento da análise. Assim, o biocombustível ultrapassou a linha do limite comercialmente estabelecido e a relação entre os preços ficou em 71,9%, resultado considerado desfavorável para os consumidores. 

Na semana, a pesquisa foi novamente feita em 49 cidades paulistas, o que faz a comparação ser mais precisa. Nelas, o etanol chegou a R$ 3,496/L, o segundo menor valor do país, enquanto a gasolina subiu menos, 5,12%.

Em Mato Grosso do Sul, o movimento foi similar: ambos os combustíveis subiram – 8,03% no caso do etanol, que ficou em R$ 3,795/L, e 5,85% no da gasolina – desvalorizando o biocombustível, que ultrapassou a linha favorável ao custar o equivalente a 71,4% do preço da opção fóssil.

Desta forma, depois de três semanas abaixo do limite estabelecido – registrando os melhores valores desde 2015 –, o renovável deixou de ser competitivo no estado, onde a pesquisa foi realizada apenas na capital Campo Grande, em Dourados e em Ponta Porã.

Em Goiás, por sua vez, o etanol subiu 4,63% e ficou em R$ 3,68/L. Como o aumento para a gasolina foi de 8,68%, a relação entre os preços caiu para 68,5%, fazendo o estado voltar a ter um hidratado competitivo depois de duas semanas acima do limite. O número de municípios goianos pesquisados subiu para quatro.

Minas Gerais, depois de semanas registrando o etanol mais competitivo do país, ultrapassou o limite e registrou um índice de 70,4%. Isso se deveu ao superior aumento para o etanol, de 12,06% – o maior da análise, ficando em R$ 3,736/L – do que para a gasolina, de 5,29%. O número de municípios mineiros participantes da pesquisa novamente subiu e chegou a 15.

Assim, Mato Grosso passou a registrar o etanol mais competitivo do país, inclusive reduzindo a relação entre os preços dos combustíveis na semana analisada e ficando em 66,6%. Isso se deveu ao menor aumento para o etanol, de 1,1% – que ficou em R$ 3,305/L, o menor valor do país –, enquanto a gasolina subiu 2,29%. O estado manteve as três cidades participantes do levantamento: a capital Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. 

No Paraná, o número de cidades pesquisadas subiu para 15. Na média delas, o renovável apresentou aumento de 8,54% e a gasolina, de 5,96%. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 74,4%, acima do limite considerado comercialmente favorável para o biocombustível e novamente maior do que a registrada na semana anterior.

paridade 04 tabela completa 21.02a27.02

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 21 e 27 de fevereiro, 175 cidades foram pesquisadas, sete a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais. O estado não apresenta qualquer dado desde o retorno da análise. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – NovaCana


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail