Etanol: Preços

Etanol anidro atinge alta histórica em meio a fundamentos altistas

Preço no Centro-Sul subiu 17,95% em relação ao ano passado, enquanto elevação no Norte-Nordeste foi de 23,46%


S&P Global Platts - 22 out 2020 - 09:59

Por Nicolle Monteiro de Castro*

Em 21 de outubro, o mercado brasileiro de etanol anidro atingiu o maior valor já comercializado. A alta acontece em um cenário de aumento no consumo de combustíveis, menor produção do renovável e pouca importação dos Estados Unidos.

Nesta data, a S&P Global Platts avaliou o etanol anidro em Ribeirão Preto em R$ 2.530/m³, o que configura uma alta de 13,71% no mês e de 17,95% no ano. O valor é o mais alto desde que a consultoria começou a acompanhar este mercado, em abril de 2014.

Segundo fontes consultadas pela Platts, a alta do anidro em outubro – período em que as usinas do Centro-Sul ainda estão produzindo – pode ser explicada pela combinação de um maior mix de produção para o açúcar e da forte desvalorização do real frente ao dólar. A situação vem fechando a arbitragem de importação para o biocombustível desde abril.

Historicamente, os preços mais altos do anidro no Centro-Sul são observados no primeiro trimestre da safra, mas também ocorreu uma exceção na temporada 2019/20.

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{viewonly=registered,special}Por Nicolle Monteiro de Castro*

Em 21 de outubro, o mercado brasileiro de etanol anidro atingiu o maior valor já comercializado. A alta acontece em um cenário de aumento no consumo de combustíveis, menor produção do renovável e pouca importação dos Estados Unidos.

Nesta data, a S&P Global Platts avaliou o etanol anidro em Ribeirão Preto em R$ 2.530/m³, o que configura uma alta de 13,71% no mês e de 17,95% no ano. O valor é o mais alto desde que a consultoria começou a acompanhar este mercado, em abril de 2014.

Segundo fontes consultadas pela Platts, a alta do anidro em outubro – período em que as usinas do Centro-Sul ainda estão produzindo – pode ser explicada pela combinação de um maior mix de produção para o açúcar e da forte desvalorização do real frente ao dólar. A situação vem fechando a arbitragem de importação para o biocombustível desde abril.

Historicamente, os preços mais altos do anidro no Centro-Sul são observados no primeiro trimestre da safra, mas também ocorreu uma exceção na temporada 2019/20.

Em 18 de abril de 2019, a Platts avaliou o anidro em Ribeirão Preto em R$ 2.485/m³. Este foi o maior preço da safra 2019/20 e um valor atípico considerando a tendência histórica. Na ocasião, a justificativa foi as condições climáticas no Centro-Sul, que estavam mais úmidas do que o normal, atrasando a produção de etanol.

Em outubro de 2019, a avaliação média do anidro da Platts foi de R$ 2.134/m³, enquanto a média entre 1º de janeiro de 2020 e 18 de março foi superior a R$ 2.339/m³. Entretanto, os efeitos da pandemia de coronavírus reduziram o preço do anidro em quase R$ 100/m³ nos últimos dez dias de março.

Seguindo esta tendência, conforme os dados da Platts, o renovável poderá ser negociado, em média, por R$ 2.772/m³ no primeiro trimestre de 2021.

Fundamentos altistas

O mais recente relatório de vendas de combustíveis mostrou que a demanda brasileira de gasolina de janeiro a agosto foi de 22,37 bilhões de litros, uma queda anual de 10,4%. Considerando que o combustível contém uma mistura de 27% de anidro, as vendas acumuladas do renovável no período foram de 6,04 bilhões de litros.

Além disso, desde o início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, em 1º de abril, os produtores estão direcionando mais matéria-prima para a produção de açúcar.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou, em seu último relatório de safra, que o volume de cana moída entre 1º de abril e 30 de setembro chegou a 499 milhões de toneladas. Deste total, 53,04% foi destinado à produção de etanol, ante 64,69% registrado no acumulado até setembro da safra anterior.

No mesmo período, a produção de anidro de milho e de cana-de-açúcar somou 7,48 bilhões de litros, uma queda anual de 4,41%.

Ao final de setembro, os estoques brasileiros do renovável apresentavam patamares mais altos em relação ao ano anterior, totalizando 3,51 bilhões de litros, uma ampliação de 3,9%. A alta no armazenamento pode ser parcialmente atribuída ao grande volume importado via portos do Centro-Sul no primeiro trimestre do ano, antes do início da safra e da crise no consumo de combustíveis.

De acordo com cálculos da Platts referentes a 21 de outubro, o etanol anidro importado dos Estados Unidos por Suape (PE) – maior polo de importação do biocombustível no país – custaria R$ 3.108/m³, livre de impostos. O valor considera a importação dentro da cota de 187,5 milhões de litros, válida desde 31 de agosto.

O preço estimado ficou R$ 398/m³ acima da última avaliação do valor de entrega (DAP, na sigla em inglês) do anidro que chega no porto de Suape, publicada pela Platts em 16 de outubro.

Participantes do mercado informaram que as importações bimestrais do Paraguai devem chegar em breve à região Nordeste. No entanto, os volumes não foram divulgados e a Platts não conseguiu encontrar ofertas à vista, sugerindo que a maior parte provavelmente não será oferecida no mercado spot.

De abril a setembro, o Brasil importou 259 milhões de litros de etanol, uma queda de 65% em comparação com o mesmo período de 2019. A redução é justificada principalmente pela menor demanda por combustíveis e pelo maior custo de importação devido à desvalorização do real.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução novaCana.com