Etanol: Preços

Combustíveis em baixa: Em meio à queda no consumo, etanol se torna mais competitivo

Minas Gerais se junta a São Paulo e Goiás dentre os estados onde o renovável é considerado mais competitivo que a gasolina


novaCana.com - 06 abr 2020 - 10:34

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 29 de março a 4 de abril:

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  1. Preço médio da gasolina caiu 2,32% e o do etanol, 3,19%

  2. Na média nacional, o preço do renovável correspondeu a 70,7% do valor de comercialização do combustível fóssil

  3. Com as variações nos estados, o consumo de etanol é economicamente vantajoso para os motoristas de São Paulo, Minas Gerais e Goiás

  4. O preço do etanol nos postos caiu em 22 estados e no Distrito Federal, subiu apenas na Paraíba, em Tocantins e no Acre, e não foi registrado no Amapá

  5. O preço do renovável nas usinas dos principais estados produtores apresentou grandes reduções


Os valores dos combustíveis nas refinarias e usinas brasileiras seguem em queda, acompanhando também uma queda no consumo. No cenário mundial, que se repete no país, há recomendações de isolamento da população por conta da pandemia de coronavírus.

Na primeira semana de abril, as usinas de etanol paulistas venderam o biocombustível a R$ 1,3049 o litro, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Isso representa uma queda de 13,79% em relação à análise anterior.

Já em Goiás, a redução da comercialização nas usinas foi de 11,91% e, em Mato Grosso, de 12,64%. O movimento acompanha o que também ocorre com o preço da gasolina que sai das refinarias, graças à queda no consumo e à redução nos valores internacionais do petróleo.

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Com estas variações, a relação entre os preços dos combustíveis está diminuindo, o que favorece a competitividade do renovável. Na semana de 29 de março a 4 de abril, o preço médio do etanol nos postos correspondeu a 70,7% do valor cobrado pela gasolina. Ainda assim, o índice está acima do limite comercialmente estabelecido como competitivo, de 70%.

De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a redução de 0,84% no indicador foi consequência da maior queda no preço médio do biocombustível.

Enquanto ele passou de R$ 3,139 por litro para R$ 3,039/l, uma queda de 3,19%, a gasolina passou de R$ 4,4/l para R$ 4,298/l, uma redução de 2,32%.

Este foi o menor valor registrado para o biocombustível nos postos desde o início de 2020, enquanto a gasolina atingiu seu menor patamar desde setembro de 2019.

Variação nos estados

De acordo com os dados da ANP, na semana de 29 de março a 4 de abril, o preço do etanol só aumentou na Paraíba, em Tocantins e no Acre, tendo diminuído em 22 estados e no Distrito Federal. Novamente, a ANP não registrou os valores do Amapá.

Já a gasolina registrou reduções na média de todos estados, repetindo a tendência vista na semana anterior.

Neste cenário, o consumo do biocombustível só é vantajoso economicamente para os motoristas de Goiás, São Paulo e, mais uma vez, Minas Gerais – que estava de fora desta lista há seis semanas.

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Em São Paulo, estado que mais produz e consome etanol no país, o biocombustível caiu 3,9% – a segunda maior queda da análise – e chegou a R$ 2,81. Como a gasolina caiu menos, 3,01%, a relação entre os preços caiu para 68,8%, se tornando ainda mais favorável para o renovável.

Já em Minas Gerais, o etanol caiu 3,77% e a gasolina, 2,35%. Desta forma, a relação entre os valores caiu para 69,4% e voltou favorecer o biocombustível.

Em Goiás, o etanol apresentou queda de 0,93% – chegando a R$ 2,973 e ficando abaixo dos R$ 3,00 pela primeira vez desde setembro de 2019 – e a gasolina, de 0,94%. Com isso, a relação entre eles se manteve em 67,4%, firmando-se como a mais favorável para o biocombustível dentre os estados.

Mato Grosso, por outro lado, teve uma maior queda para a gasolina (3,23%) do que para o etanol (2,92%). Desta forma, a relação entre os preços subiu para 71,9%, distanciando-se um pouco mais do limite da competitividade do renovável e batendo em um valor que não era visto no estado desde o início de 2017.

No Paraná, o etanol caiu 4,22% – a maior queda da análise – e a gasolina, 3,75%. Assim, a relação entre os preços reduziu para 75,6%, ainda acima do limite considerado favorável para o biocombustível.

O estado apresenta o segundo indicador mais alto dentre os seis grandes produtores. O primeiro, Mato Grosso do Sul, manteve-se em 80,2%, seguindo acima do limite da competitividade para o renovável.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusivo para assinantes).

Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Rafaella Coury – novaCana.com


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