Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Maior aumento para gasolina favorece competitividade do etanol

Pesquisa da ANP traz a média de 83 municípios; renovável só é competitivo em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso


novaCana.com - 24 nov 2020 - 11:06

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 15 a 21 de novembro:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,53% e o do etanol, 1,2%

  2. Na média nacional, o preço do combustível renovável correspondeu a 70,1% do valor de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso, em média, para algumas cidades de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso

  4. O renovável novamente subiu nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás


Desde o retorno do levantamento dos preços de combustíveis (LPC) nos postos do país, realizado a pedido da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na segunda quinzena de outubro, o etanol tem perdido competitividade em relação à gasolina.

Na pesquisa mais recente, referente à semana de 15 a 21 de novembro, por outro lado, a relação entre os preços médios do renovável e do seu concorrente fóssil favoreceu o primeiro e ficou em 70,1% – tecnicamente acima do limite comercialmente estabelecido em 70%, mas bem próximo dele.

No comparativo com a análise anterior, o indicador apresentou uma queda de 0,28%, graças ao maior aumento no preço médio da gasolina em relação à alta do etanol. Enquanto a primeira passou de R$ 4,368 por litro para R$ 4,435/L, uma elevação de 1,53%, o segundo passou de R$ 3,071/L para R$ 3,108/L.

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Destaques nos estados

Na semana de 15 a 21 de novembro, de acordo com a média dos estados, o etanol subiu em 17 deles e no Distrito Federal, caiu em sete e não pôde ser comparado no Amapá e em Roraima. Já a gasolina só não subiu em cinco estados e também não pôde ser comparada em Roraima, onde a pesquisa não foi realizada na semana anterior.

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Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor do renovável, o preço médio subiu 1,06% entre as duas análises e ficou em R$ 2,961/L, o menor da semana. Como a gasolina subiu menos, 0,45%, a relação entre os preços dos combustíveis mostrou um desfavorecimento do etanol e ficou em 70,4%, ultrapassando a linha dos 70% pela primeira vez desde março. 

A comparação entre os dois períodos deve ser observada com cautela, pois, enquanto na semana anterior ela se referia à capital e a outras 13 cidades, agora ela se refere a 23 municípios, incluindo São Paulo.

Apenas na capital paulista, o valor do renovável vem crescendo, mesmo que de forma tímida, desde que o levantamento de preços retornou. Já a gasolina apresenta uma linha menos estável, alternando entre subidas e quedas.

Minas Gerais é o segundo estado com o maior número de cidades pesquisadas nesta semana, sete, incluindo a capital Belo Horizonte. No comparativo com a análise anterior, o preço médio do renovável ficou em R$ 2,989/L, 1,18% acima do anterior e o segundo menor do país.

Com o aumento médio de 1,39% para a gasolina, a relação entre os preços dos combustíveis no estado mineiro ficou em 66%, abaixo da observada na semana anterior, mas na média vista desde o retorno do levantamento.

Goiás, por sua vez, foi um dos poucos estados onde o etanol caiu no comparativo entre as duas semanas. A pesquisa foi realizada apenas na capital, Goiânia, e em Anápolis.

Na análise, o valor médio do renovável ficou em R$ 3,156/L, 1,07% mais baixo que o da semana anterior. Com a queda de 0,23% para a gasolina, a relação entre os preços ficou em 66,6%, abaixo do observado no último mês.

Já Mato Grosso passou de uma para três cidades na pesquisa entre as duas últimas semanas, envolvendo a capital e mais duas. Enquanto em Cuiabá o preço médio do etanol caiu 0,45%, na média das três cidades ele subiu 0,71%.

Como a gasolina teve uma elevação de 0,13% no mesmo comparativo, a relação entre os valores cobrados nas bombas ficou em 69,3%, próxima do limite da competitividade e o maior valor desde o final de março.

Mato Grosso do Sul normalmente registra uma relação desfavorável entre o etanol e a gasolina. Na análise mais recente, que envolveu a capital e mais uma cidade, isso se repetiu e o indicador ficou em 73%, apesar de representar uma pequena melhora em relação à semana anterior.

Isso se deve ao fato de que, no comparativo semanal, a gasolina subiu mais que o renovável, com aumentos de 1,02% e 0,85%, respectivamente.

Já no Paraná, o renovável vem perdendo competitividade desde que a pesquisa retornou, porém a relação entre os combustíveis apresentou queda no comparativo mais recente e ficou em 75,9%, acima da linha favorável.

Na média da capital, Curitiba, e de Cascavel e Maringá, o etanol subiu 2,02% entre as duas análises, um dos maiores aumentos da semana, chegando a R$ 3,234/L. Porém a gasolina subiu mais, 2,95%, o que influenciou na queda da relação entre eles.

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Nas usinas dos principais estados produtores do país, o hidratado também apresentou aumentos na análise mais recente, conforme os dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Em São Paulo, o acréscimo foi de 0,6%, enquanto em Goiás e em Mato Grosso ele foi de 0,59% e 0,19%, respectivamente.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após nove semanas em pausa, o LPC voltou a ser realizado com a regularidade semanal. A questão, que dificulta as comparações análise a análise, é que o número de municípios pesquisados muda semanalmente, conforme já era previsto e foi divulgado pela agência reguladora.

Entre 15 e 21 de novembro, a pesquisa foi realizada em 83 municípios, incluindo todas as capitais dos estados e o Distrito Federal. O número realmente apresenta um aumento em relação aos 54 da semana anterior, porém ainda está bem abaixo do total esperado, 459, na “gradual expansão das amostras e dos municípios integrantes até que se atinja cerca de 6 mil postos”.

A ANP vem demonstrando dificuldade em corresponder ao esperado em relação ao LPC desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data para a retomada que não foi cumprida, seguida por um atraso de mais de um mês.

Inicialmente, também foi divulgado que, após quatro semanas da retomada, a pesquisa envolveria, no total, 91 cidades e o Distrito Federal. Considerando que a análise mais recente se refere à quinta semana desde o retorno, esta expectativa também não foi cumprida.

Desta forma, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra nem sempre é a mesma.

Rafaella Coury – novaCana.com