Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol segue subindo e perde competitividade

Pesquisa foi realizada em 112 municípios; Goiás, Mato grosso e Minas Gerais apresentam renovável no limite da competitividade


NovaCana - 07 dez 2020 - 14:58

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 29 de novembro a 5 de dezembro:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,88% e o do etanol, 1,06%

  2. Na média nacional, o combustível renovável correspondeu a 70,7% do valor de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso, em média, para algumas cidades de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso

  4. O preço do renovável novamente caiu nas usinas de São Paulo e subiu nas de Mato Grosso e Goiás


O etanol perdeu competitividade nos postos do país na primeira semana de dezembro, como vem sendo observado desde a metade de novembro. Conforme levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço dos combustíveis subiu.

Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro, o valor médio do etanol nos postos dos 112 municípios pesquisados saiu de R$ 3,124 por litro para 3,157/L, um aumento de 1,06%. Como a gasolina subiu menos, 0,88% – passando de R$ 4,428/L para R$ 4,467/L –, o renovável perdeu competitividade.

Com o menor aumento para a gasolina, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 70,7%, 0,14% acima do observado na semana anterior e novamente maior que o limite comercialmente estabelecido como favorável para o biocombustível, 70%.

Este é o maior valor registrado para o indicador desde março, período em que as usinas sucroenergéticas estão na entressafra, o que normalmente aumenta o preço do etanol e reduz sua competitividade.

Por mais que o valor médio dos combustíveis seja o maior em meses, a comparação semanal ainda está prejudicada, já que o número de municípios pesquisados aumenta a cada análise.

Já nas usinas dos principais estados produtores do país, o hidratado novamente apresentou queda em São Paulo, conforme os dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Enquanto no estado paulista a redução foi de 0,77%, com o biocombustível sendo negociado a R$ 2,0548/L, Goiás e Mato Grosso novamente apresentaram aumentos, de 0,3% e 0,38%, respectivamente.

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Destaques nos estados

Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro, de acordo com a média dos postos, o etanol subiu em 18 estados, caiu em sete e no Distrito Federal, e novamente não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina subiu em 19 estados.

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Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor do etanol, o preço médio subiu 0,7% entre as duas análises e ficou em R$ 3,006/L, ainda o menor do país, mas ultrapassando a linha dos R$ 3,00/L.

Como a gasolina subiu menos, 0,45%, a relação entre os preços dos combustíveis desfavoreceu o renovável e ficou em 71,4%, acima da linha dos 70%. Na comparação semanal, o estado segue sendo o que teve mais municípios pesquisados, 37, acima dos 29 da análise anterior.

Já Minas Gerais novamente apresentou, na média da pesquisa, o etanol mais favorável do país para os consumidores, já que a relação entre os valores dos combustíveis nas bombas está em 67,6%. Ainda assim, o indicador está subindo semanalmente e se aproximando da linha dos 70%.

Este incremento acompanha a elevação de 1,28% no preço médio do renovável na análise mais recente, que chegou a R$ 3,08/L. Já a gasolina subiu 0,84% no mesmo comparativo, o que justifica o desfavorecimento para o biocombustível. Em relação à pesquisa, o número de municípios mineiros que participaram do levantamento foi sete, como visto há duas semanas.

Em Goiás, o etanol ainda se mantém favorável para o consumidor na comparação com a gasolina, mas a relação entre os preços ficou em 69,3% na análise mais recente. Este é o ponto mais alto do indicador no estado desde junho.

Na primeira semana de dezembro, o renovável subiu 5,4% na média dos postos goianos pesquisados, o maior aumento da análise, enquanto a gasolina subiu menos, 2,5%. Em Goiás, a pesquisa segue sendo feita apenas em dois municípios.

Mato Grosso, por sua vez, também ainda apresenta etanol competitivo, com a relação entre os preços dos combustíveis em 68,6%, próxima do limite favorável, mas novamente menor do que na análise anterior. Isso se deve ao fato de que a gasolina subiu 0,67% na semana, enquanto o etanol, apenas 0,29%. O número de municípios pesquisados também não mudou no comparativo semanal.

Por outro lado, Mato Grosso do Sul segue apresentando uma relação desfavorável para o etanol, com índice de 73,1%, acima do limite comercialmente estabelecido como competitivo, mas menor do que o observado na análise anterior.

Nesta semana, a pesquisa só foi realizada na capital, Campo Grande, o que provavelmente influenciou no valor médio dos combustíveis.

Já o Paraná apresenta uma relação ainda mais desfavorável para os consumidores do biocombustível, de 76,2%. Este é o segundo maior valor registrado no estado no ano e se deve à maior queda para a gasolina, de 0,47%, enquanto o etanol caiu 0,16%. No comparativo semanal, o número de municípios pesquisados no estado passou de três para quatro.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

No final de outubro, após mais de dois meses em pausa, a ANP voltou a realizar sua pesquisa de preços semanalmente. Entretanto, a comparação entre os dados obtidos segue prejudicada, pois o número de municípios pesquisados muda semanalmente, conforme já era previsto pela agência.

Entre 29 de novembro e 5 de dezembro, a pesquisa foi realizada em 112 municípios, incluindo todas as capitais dos estados e o Distrito Federal. O número apresenta um aumento em relação ao registrado na semana anterior, quando foram 97, porém ainda está bem abaixo do total esperado, 459, na “gradual expansão das amostras e dos municípios integrantes até que se atinja cerca de 6 mil postos”.

A ANP vem demonstrando dificuldade em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi cumprida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados, como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – novaCana.com


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