Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol só é competitivo em Minas Gerais e Goiás

Levantamento de preços foi realizado em 122 municípios, e ainda está longe dos 459 esperados


NovaCana - 14 dez 2020 - 13:59

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 6 a 12 de dezembro:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,31% e o do etanol, 0,89%

  2. Na média nacional, o preço do combustível renovável correspondeu a 71,1% do valor de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso, em média, apenas para algumas cidades de Minas Gerais e Goiás

  4. O preço do biocombustível caiu nas usinas de São Paulo e Goiás, mas subiu nas de Mato Grosso


O preço médio do etanol nos postos do país está prestes a completar dois meses de aumentos. O dado, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), faz parte do levantamento dos preços de combustíveis realizado pela agência.

Na semana de 6 a 12 de dezembro, foram pesquisados os postos de 122 municípios do país, incluindo todas as capitais e cidades relevantes, exceto Macapá (AP). No comparativo semanal, o preço médio do etanol subiu 0,89%, passando de R$ 3,157 por litro para R$ 3,185/L.

No mesmo comparativo, a gasolina também subiu, mas menos (0,31%), passando de R$ 4,467/L para R$ 4,481/L. Desta forma, o indicador que mede a relação entre os preços dos combustíveis aumentou e chegou a 71,1%, acima do limite comercialmente estabelecido como favorável, de 70%.

O acréscimo de 0,57% no indicador segue uma tendência de subidas observada nas últimas semanas, batendo recordes de valor desde os observados em março – período em que as usinas sucroenergéticas estão na entressafra, o que normalmente aumenta o preço do etanol, reduzindo sua competitividade.

Por mais que o valor médio dos combustíveis seja o maior em meses, a comparação semanal ainda está prejudicada, já que o número de municípios pesquisados aumenta a cada análise.

Já nas usinas dos principais estados produtores do país, o hidratado novamente apresentou queda em São Paulo, conforme os dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Enquanto no estado paulista a redução foi de 0,18% – fazendo o renovável ser negociado a R$ 2,0512/L –, Goiás apresentou a queda de 1,7%. Já Mato Grosso novamente apresentou aumento, que foi de 0,04% na semana.

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Destaques nos estados

Entre os dias 6 e 12 de dezembro, de acordo com a média dos postos pesquisados, o etanol subiu em 19 estados e no Distrito Federal, caiu em seis e novamente não pôde ser comparado no Amapá. Já o preço da gasolina subiu em 20 estados.

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Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor do etanol do país, o preço médio do combustível renovável subiu 0,6% entre as duas análises e ficou em R$ 3,024/L, ainda registrando o menor valor da semana.

Como a gasolina subiu de forma similar, 0,62%, a relação entre os valores dos combustíveis se manteve em 71,4%, acima da linha dos 70%, mas sem desvalorizar mais o biocombustível. Na comparação semanal, o estado segue sendo o que teve mais municípios pesquisados, porém com um a menos do que na análise anterior, ficando em 36.

Já Minas Gerais novamente apresentou, na média da pesquisa, o etanol mais favorável do país para os consumidores, já que o biocombustível custou o equivalente a 68,6% do preço da gasolina. Entretanto, o indicador segue aumentando e se aproximando da linha dos 70%.

Na análise, este incremento acompanhou o aumento de 1,88% no preço médio do renovável, que chegou a R$ 3,138/L. Já a gasolina subiu 0,42% no mesmo comparativo, desfavorecendo o biocombustível. Em relação à pesquisa, o número de municípios mineiros que participaram do levantamento chegou a dez, o maior desde o retorno da pesquisa.

Em Goiás, o etanol ainda se mantém favorável para o consumidor na comparação com a gasolina, mas está no limite, custando 69,8% do valor de seu concorrente fóssil na análise mais recente. Este é o ponto mais alto do indicador no estado desde março, quando estava acima dos 70%.

Na semana, o renovável subiu apenas 0,09% na média dos postos goianos pesquisados, porém a gasolina caiu 0,67%, justificando o aumento no indicador. Em Goiás, a pesquisa segue sendo feita apenas em dois municípios.

Mato Grosso, por sua vez, registrou o maior aumento para o etanol da análise, 6,16%, fazendo a relação entre os preços dos combustíveis chegar a 72,7%, ultrapassando a linha comercialmente favorável pela primeira vez desde março. O número de municípios pesquisados também não mudou no comparativo semanal, o que favorece a comparação dos preços.

Por outro lado, Mato Grosso do Sul apresentou uma queda de 0,69% para o etanol, enquanto a gasolina subiu 0,29%. Desta forma, a relação entre os valores ficou em 72,4%, ainda comercialmente desfavorável para o etanol, mas um dos menores resultados do ano. Nesta semana, a pesquisa novamente só foi realizada na capital, Campo Grande.

Já o Paraná apresenta uma relação ainda mais desfavorável para os consumidores do biocombustível, de 75,6%. O indicador traz uma recuperação em relação à semana anterior, graças à redução de 0,53% no preço do renovável. No comparativo semanal, o número de municípios pesquisados no estado dobrou e chegou a oito.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 6 e 12 de dezembro, a pesquisa foi realizada em 122 municípios, incluindo todas as capitais dos estados – menos o Amapá no caso do etanol – e o Distrito Federal. O número novamente apresenta um aumento em relação ao registrado na semana anterior, quando houve consulta em 112, porém ainda está bem abaixo do total esperado, 459, na “gradual expansão das amostras e dos municípios integrantes até que se atinja cerca de 6 mil postos” prometida pela agência.

A ANP vem demonstrando dificuldade em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi cumprida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – novaCana.com


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