Etanol: Mercado

Pandemia de coronavírus ofusca cenário para grandes tradings agrícolas


Bloomberg - 30 abr 2020 - 08:14

A pandemia de coronavírus que deixa carros fora das estradas e fecha frigoríficos nos Estados Unidos ofusca as perspectivas de algumas das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo.

Isso porque o impacto do vírus cria um efeito dominó que atinge várias commodities. A demanda por milho para a produção de etanol encolheu, enquanto paralisações nos EUA obrigam pecuaristas a abater animais, o que diminui a demanda por insumos como soja.

Tudo isso piora as perspectivas de lucro de empresas como a Archer-Daniels-Midland e Bunge, que divulgam balanços. Apesar dos números do primeiro trimestre não refletirem todo o impacto dos confinamentos, investidores podem se deparar com um cenário mais sombrio.

“Embora os negócios tenham operado com normalidade para a ADM e Bunge no primeiro trimestre de 2020, os fundamentos diminuíram no final de março e as perspectivas de demanda se deterioraram significativamente”, disse o analista Thomas Simonitsch, do JPMorgan Chase.

Os efeitos cascata do vírus se tornam mais claros. A produção de etanol – responsável por cerca de 30% da safra de milho dos EUA – caiu para nível recorde. As margens já eram negativas antes do vírus se espalhar e da guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, que sacudiu os mercados de petróleo.

Empresas como a trading agrícola Andersons e refinarias de petróleo como a Valero Energy estão desacelerando ou desativando usinas de etanol. A ADM vai suspender temporariamente a produção em usinas de moagem a seco de milho em Iowa e Nebraska: as mesmas usinas que tenta vender e que devem divulgar resultados como unidade separada pela primeira vez.

Ben Bienvenu, analista da Stephens, vê o fechamento como um passo positivo “dadas as perdas operacionais significativas que estamos modelando atualmente para os negócios de etanol da ADM neste ano”.

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Ainda assim, os resultados podem ser protegidos por um ambiente de margens maiores no Brasil, onde a alta do dólar em relação ao real ajuda as vendas de agricultores, que se beneficiam da demanda chinesa. A Cargill, a maior empresa de capital fechado dos EUA, disse nesta semana que suas operações no Brasil se beneficiaram da tendência.

“Tanto Bunge quanto ADM devem se beneficiar da venda acelerada dos agricultores e do aumento das margens”, disse o analista Ben Kallo, da Robert W. Baird.

Isis Almeida