Etanol: Mercado

Mudança só no longo prazo, dizem governo e produtores


O Globo - 09 set 2013 - 08:37 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Produtores e governo preveem que o etanol poderá retomar sua competitividade, mas só no longo prazo. Para os produtores, a desoneração de PIS-Cofins recém-aprovada no Congresso e as linhas de crédito do BNDES lançadas para esta safra ajudam, mas eles ainda reclamam da concorrência nas bombas com uma gasolina a preço controlado e subsidiado.

— A boa notícia é a recuperação do setor, que puxou muitos investimentos em infraestrutura, estocagem e logística; a má notícia é que isso não é garantido para todos os anos, por conta do alto nível de endividamento das usinas e porque os preços não seguem regras de mercado — disse Elisabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica).

Para o governo, medidas recentes como a desoneração, o crédito para renovação de canaviais e estocagem e o aumento da participação do álcool na mistura da gasolina — de 20% para 25% — aliviarão o caixa das usinas para investirem mais, sobretudo em novas tecnologias que elevem a produtividade, como ocorreu com grãos nas últimas décadas.

Situação 'frustrante'
Sem a defasagem tecnológica percebida no setor, o Brasil poderia ter produtividade seis vezes maior, segundo estudo publicado pelo BNDES em março. O estudo destaca que as safras de cana vêm perdendo produtividade e considera a situação "frustrante" para o futuro.

— O setor precisa mudar de paradigma tecnológico, entender que é preciso investir mais em tecnologias como transgênicos ou no etanol de segunda geração (a partir de celulose ou do bagaço da cana) para voltar a ser viável — disse Artur Yabe Milanez, um dos gerentes de biocombustíveis do BNDES que participaram do estudo.

Em 2011, o banco ofereceu a primeira linha de crédito para novas tecnologias ao setor sucroalcooleiro, para produção de etanol a partir de celulose ou resíduos da cana, com R$ 3 bilhões aprovados. Uma nova linha será criada este ano, com valores similares, mas incluindo projetos de melhoramento genético e novas máquinas.

Segundo Elisabeth, porém, 30% das usinas nacionais não conseguem acessar as linhas do BNDES por estarem endividadas demais. Ela diz que as margens do setor têm sido comprimidas por elevação de custos, principalmente trabalhistas e ambientais. Até o fim do ano, por exemplo, em São Paulo não será mais permitido queimar resíduos.

Na negociação de incentivos, o governo passou a cobrar das empresas oferta de etanol neste e nos próximos anos. A BR Distribuidora tem assinado contratos para além da safra, a fim de assegurar o suprimento.