BASF
Etanol: Importação

Canavieiros do Nordeste discutem ampliação da importação de etanol sem impostos

Na região Nordeste, setor se posicionou como contrário ao aumento de cota de importação de etanol com isenção de tarifas


G1 - 10 set 2019 - 07:24
Representantes dos produtores rurais acreditam que o setor canavieiro deve ser prejudicado pelo aumento na cota

Produtores rurais de Pernambuco e de outros estados do Nordeste se reuniram no Recife, nesta segunda-feira (9), para discutir uma portaria do Ministério da Economia que amplia a cota de importação de etanol com isenção de tarifa. A maior parte do biocombustível importado vem dos Estados Unidos.

A reunião foi realizada na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, na Zona Sul da capital. No estado, há 12 mil donos de canaviais, em um mercado que envolve 300 mil trabalhadores diretos e indiretos.

Cerca de 60 mil trabalhadores rurais são empregados pelo setor. Antes, o governo não cobrava impostos de 600 milhões de litros de etanol e, com a nova medida, o volume isento é de 750 milhões de litros.

Segundo o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-açúcar de Pernambuco, Alexandre Andrade Lima, o setor havia pedido a diminuição da cota isenta de etanol. Para ele, com o aumento anunciado pelo governo federal, o setor canavieiro deve ser afetado.

“Essa importação é do etanol de milho, que é altamente subsidiado nos Estados Unidos e, geralmente, abastece os portos nordestinos. Uma boa parte dele entra no Porto do Itaqui, no Maranhão, e é distribuído na região Nordeste, prejudicando toda a lavoura canavieira”, afirma o presidente.

Em Pernambuco, o faturamento anual dos fornecedores de cana-de-açúcar é de R$ 660 milhões. O período de safra começou neste em setembro e segue até março ou abril de 2020. Os produtores estão apreensivos, com medo dos impactos negativos.

O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-Açúcar, José Inácio de Morais, afirma que a economia dos estados produtores pode ser afetada. O encontro entre os produtores discutiu formas de como o governo pode impedir os prejuízos para os produtores.

“Já perdemos, anteriormente, o algodão e a única cultura que nos resta é a da cana-de-açúcar. É uma concorrência desleal a entrada desses produtos, produzidos pelos americanos. É um etanol sujo, que vem entrando no Nordeste e prejudicando a única atividade que gera emprego e renda na região”, declara.

Danielle Fonseca