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Etanol: Mercado: Gasolina

Unica critica reajuste dos combustíveis e diz que não adiantará nada para as usinas


- novaCana.com - - 29 nov 2013 - 23:36 - Última atualização em: 02 dez 2013 - 08:39

No que depender da principal entidade que defende as usinas, serão maiores os prejuízos eleitorais da presidente Dilma Rousseff gerados pelo reajuste no preço da gasolina anunciado nesta sexta-feira.

Com um texto crítico, semelhante ao divulgado no reajuste anterior, no início do ano, a Unica argumentou que qualquer benefício do aumento da gasolina será eliminado por causa do reajuste de 8% no preço do diesel.

"O impacto da alta do diesel no custo de produção do etanol é muito significativo. Devido ao grau de mecanização hoje na atividade agrícola, o diesel mais caro afeta plantio, colheita, carregamento e transporte. É um dos insumos mais importantes para a produção do biocombustível de cana," disse o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues. Ele lembra também que o aumento no custo do diesel provoca alta nos custos de outros insumos importantes para a produção do etanol.

Este é o argumento principal da entidade, que não chegou a apresentar nenhum número que reforçasse a afirmação. Mas intensificou a crítica: "Além de tudo isso, a lei determina que a partir de 2014 as usinas terão que adquirir o S10, versão menos poluente do diesel e ainda mais cara. Assim, qualquer ganho de competitividade para o etanol com o aumento no preço da gasolina será praticamente neutralizado pelo aumento que o diesel vai gerar nos custos de produção."

A Unica mostrou que de nada adiantou a coação que sofreu anteriormente, quando o governo ameaçou suspender o pacote de incentivos lançado se não tivesse o apoio oficial da instituição. E, dessa vez, parecendo querer sensibilizar a sociedade citou o sustento da Petrobras com dinheiro da população: "A Petrobras enfrenta aumentos em seus custos de produção de gasolina da mesma forma que o setor sucroenergético, que paga mais por insumos, equipamentos, salários mais altos, encargos e terras. A diferença é que as perdas da Petrobras são acomodadas pelo governo com dinheiro público, enquanto as perdas do setor sucroenergético resultam em prejuízo para as empresas que produzem etanol, e perdas para toda a sociedade, como o aumento nos custos da saúde pública e a piora na qualidade do ar com o aumento no uso da gasolina e diminuição no uso do etanol, principalmente nas áreas urbanas."

A entidade criticou a opção da estatal de não divulgar como será a metodologia adotada pelo governo para os próximos reajustes, que segundo a Petrobras serão "estritamente internos à companhia."

"Continuamos sem um sistema, uma fórmula com parâmetros claros e estáveis, que torne possível entender qual o embasamento para manter ou ajustar o preço da gasolina. Sem essa clareza e apenas com ajustes pontuais de forma aleatória, não é possível planejar um futuro com rentabilidade para o etanol," explica o diretor da Unica.

A intenção do governo é evitar que os reajustes acabassem se tornando um mecanismo indesejado de indexação de preço por outros setores, um dos problemas nos anos 90 que acabou gerando hiperinflação.

Segundo o executivo, a introdução de aumentos sem um critério claro e que não sofra alterações leva à falta de previsibilidade, o que mantém um grau elevado de insegurança e afugenta investimentos de longo prazo, principalmente na implantação de novas usinas: "O setor sucroenergético continua investindo em logística, infraestrutura, ampliação e renovação de canaviais e em novas tecnologias para melhorar a produtividade das usinas existentes. Isso tudo permite pequenos ganhos no volume de etanol produzido, mas não o suficiente para acompanhar a evolução da demanda projetada para os próximos anos."

Para a Unica, a pergunta que fica é a mesma que vem impedindo que o setor sucroenergético possa planejar ações futuras: afinal, quando acontecerá o próximo reajuste da gasolina? "É uma situação que afeta diretamente a rentabilidade da produção de etanol. Sem rentabilidade, não há como esperar que as empresas façam investimentos em novas unidades. Uma usina leva em média três anos para ficar pronta, e outros dois para operar a toda capacidade. Em cinco anos, a única perspectiva que existe hoje para quem se aventurar a construir uma nova usina é o prejuízo," acrescentou Rodrigues, lembrando que neste momento, não há encomendas para novas usinas no Brasil. Entre 2002 e 2010, mais de 100 novas usinas foram inauguradas no país.

novaCana.com
Com informações da Unica


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