Etanol: Mercado: Gasolina

Sobreoferta se agrava e preço do petróleo não para de cair

Futuros caíram mais de 20% em relação à maior cotação de 2017. Líbia reativa poços, enquanto americanos ampliam exploração de xisto.


Bloomberg / novaCana.com - 21 jun 2017 - 09:33

Em meio a receios de que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) não consiga frear uma sobreoferta global da commodity, o petróleo entrou em bear market (baixa forte e duradoura da cotação) pela primeira vez desde agosto do ano passado.

O petróleo WTI, usado como referência nos Estados Unidos, caiu mais de 20% em relação à maior cotação do ano, caracterizando o bear market. No mercado futuro, o barril fechou hoje a US$ 43,23 em Nova York; em 23 de fevereiro, era negociado a US$ 54,45.

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Não bastasse o quadro de sobreoferta, a Líbia elevou a extração ao maior volume em quatro anos, enquanto o setor americano de óleo de xisto registra a expansão mais longa de sua história. Com isso, os distribuidores veem seus estoques se acumularem, malogrando os esforços da Opep e seus aliados no sentido de enxugá-los para a média dos últimos cinco anos.

“O mercado está testando a OPEP e particularmente a Arábia Saudita”, diz John Kilduff, sócio do hedge fund Again Capital, de Nova York. “Se e enquanto eles não reagirem, vamos continuar nesta trajetória de queda”.

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Nos Estados Unidos, os motoristas também não estão ajudando. Na semana passada, depois que a Secretaria de Informações Energéticas (EIA) anunciou que as reservas de gasolina alcançaram o maior nível desde março — justo no verão, quando há uma expectativa de redução dos estoques com o aumento da demanda —, o barril caiu abaixo dos US$ 45.

As companhias americanas aumentaram o ritmo de extração pela 22ª semana consecutiva, atingindo o maior patamar desde abril de 2015, segundo a Baker Hughes. A produção chegou a 9,33 milhões de barris/dia em 9 de junho, quase o maior volume desde agosto de 2015 pelos dados da EIA.

Além disso, verificou-se um aumento na quantidade de poços perfurados incompletos, o que pode derrubar a cotação da commodity ainda mais. No final de maio, a EIA estimava haver 5.946 poços nessa situação, maior número em pelo menos três anos. Só no mês passado foram perfurados 125 poços a mais do que o esperado na Bacia Permiana, no Texas, o que pode significar uma ampliação da oferta quando eles começarem a jorrar.

Segundo Kilduff, “botou-se muita fé e esperança” nas negociações da OPEP para limitar a produção, mas elas “revelaram-se ineficazes”.

Meenal Vamburkar - Bloomberg
Tradução novaCana.com

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