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Etanol: Mercado: Gasolina

Queda na oferta de etanol fará país importar 29 bilhões de litros de gasolina em 2021, prevê Odebrecht


Portal da Indústria - 10 out 2013 - 11:54

Se não houver recuperação da defasagem dos preços do etanol, que acarretou queda na produção, a importação brasileira de gasolina, à qual o etanol é adicionado à razão de 25%, irá atingir 29 bilhões de litros em 2021, mantido o crescimento do consumo, volume para o qual não há logística adequada. A previsão foi feita pelo diretor-presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça, nesta terça-feira (8), em palestra na reunião do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar da recente decisão governamental de desoneração da atividade sucroalcooleira, com a concessão de crédito presumido e redução das alíquotas do Pis/Pasep e do Cofins, a situação do setor, que vem sendo corroída nos últimos anos,  é "dramática", segundo Mendonça. Atribuiu tal quadro principalmente à manutenção do preço do etanol, que não tem sido reajustado devido aos baixos preços da gasolina nacional, que estão 25% a 30% defasados em relação aos preços internacionais. Paralelamente, destacou ele, os custos de produção da cana de açúcar subiram 3,7% acima da inflação na atual safra, com destaque para os custos de arrendamento da lavoura, que cresceram 106% desde a safra 2007/2008.

Somem-se a esse cenário problemas climáticos nas últimas três safras, queda de 20% na produtividade da cana de açúcar, retração da oferta de crédito e dos investimentos pela crise econômica internacional, entre outros fatores, e resta "um setor maltratado", no diagnóstico do diretor-presidente da Odebrecht Agroindustrial: 60 das 330 usinas do centro-sul encerrarão suas atividades ou serão vendidas; dez usinas não irão processar a safra 2013/14;  36 entraram com pedido de recuperação judicial; 40 foram desativadas e 18 mil postos de trabalho foram fechados em 2012. O endividamento do setor quase empata com a receita: é de R$ 56 bilhões, para um faturamento previsto de R$ 60 bilhões na safra 2013/2014.

No fundo do poço
"O Brasil, que tinha a invejável vocação para a produção de combustíveis renováveis, está desperdiçando esta vocação. O mocinho vai morrer no final do filme", lamentou Mendonça. Para o presidente do Coinfra, José de Freitas Mascarenhas, o empresário que visitasse o Brasil promissor na produção de etanol há cinco anos e retornasse hoje, diria estar no país errado. Mendonça citou estudo do banco Credit Suisse que constatou ser negativo em 1,1%, atualmente, o retorno da construção de uma usina no país, enquanto análise do banco Itaú BBA prevê que o setor sucroalcooleiro "chegará ao fundo do poço em 2014".

Entre as medidas para recuperar o setor sucroalcooleiro, o presidente da Odebrecht Agroindustrial, segundo maior produtor brasileiro de etanol, atrás apenas do grupo Cosan, alinhou aumento gradual da adição do álcool à gasolina dos atuais 25% para 30% até 2020, fixação de metas de participação anual do álcool hidratado na matriz de combustíveis, ampliação dos volumes de transação nos mercados futuros de etanol, estabelecimento de uma política de preços de longo prazo com foco na redução da defasagem e na equiparação com os preços internacionais da gasolina. Luiz de Mendonça sugeriu ainda financiamentos do BNDES à lavoura da cana nas mesmas condições dos empréstimos à inovação, com dez anos de prazo, carência de sete anos e juros fixos de 4% ao ano.

Luiz Roberto Marinho


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