Etanol: Mercado: Gasolina

Preços de gasolina e diesel devem cair, mas não tanto, dizem analistas


UOL - 10 mar 2020 - 07:40

A queda na cotação do petróleo, em meio a uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, pode deixar a gasolina e o diesel mais baratos nas bombas nas próximas semanas, segundo especialistas. Eles acreditam, porém, que a queda não deva ser tão intensa quanto a do petróleo nesta segunda-feira (9), e que ainda é cedo para dizer qual será o novo patamar de preço.

A Petrobras é a maior produtora de combustíveis no país, e sua política de preços tem como base o valor do petróleo no mercado internacional. Porém, a Petrobras determina o preço de venda nas refinarias. Os postos podem repassar ou não as altas e baixas de preço aos consumidores.

O presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, afirma que o preço dos combustíveis pode cair na bomba, ainda que não de maneira tão intensa. “Pode [cair o preço na bomba], sim, mas a gente não sabe quando e quanto. Tem que esperar. Temos que aguardar uma estabilização do preço no mercado”, afirma.

De acordo com ele, devido à crise entre a Rússia e a Arábia Saudita, a queda no preço do petróleo é “natural”, porém, é provável que haja uma recuperação em relação à queda vista na segunda-feira. “Nós achamos que esse preço não é o real. Deverá, sim, acontecer uma redução do preço, mas só deve estar estabilizado alguns dias depois do evento. Deve haver uma estabilização em um patamar por ora desconhecido”, pondera.

Preço de combustível deve cair, diz economista

O economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), segue a mesma linha. Ele acredita que haverá queda no valor dos combustíveis, ainda que não seja possível dizer de quanto.

“A Petrobras vai fazer os reajustes, para baixo provavelmente, porque não deve subir tanto [o preço do petróleo nos próximos dias]. Mas também acho que esse preço [atual] é artificial, que foi provocado por uma atitude muito radical da Arábia Saudita”, disse.

Ele também afirmou que a Rússia e a Arábia Saudita devem conversar para diminuir o impacto na cotação. “A grande dúvida que a gente tem é qual vai ser o novo patamar de preço e qual é a durabilidade disso”, pontua.

Pires ainda afirmou que a Petrobras deve apenas monitorar o mercado nesta semana, enquanto os ânimos ainda estão muito exaltados. A partir da semana que vem, os preços devem ser reavaliados e isso pode chegar às bombas.

“A Petrobras, nesses primeiros dias, não vai tomar nenhuma atitude em relação ao preço. De maneira correta, vai ter o bom senso de esperar o mercado dar uma acalmada, para ver qual o novo patamar de preço de câmbio no Brasil”, acredita. “Hoje é um dia de 'banho de sangue', com as Bolsas e o preço do barril despencando, mas isso tende a estabilizar durante esta semana”.

Petrobras diz que monitora mercado

Por sua vez, a Petrobras afirmou que está monitorando o mercado e que ainda é cedo para fazer previsões sobre o impacto.

“A Petrobras avalia que ainda é prematuro fazer projeções sobre eventuais impactos estruturais no mercado de óleo e gás associados à recente e abrupta variação nos preços do petróleo, dado que ainda não está claro nem a intensidade ou mesmo a persistência do choque nos preços”, avalia a empresa, em nota.

Uma fonte da empresa, porém, afirmou à agência de notícias Reuters, em condição de anonimato, que deve haver queda de preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras. “Claro que teremos redução de preços (da gasolina e do diesel)”, disse.

Governo não vai interferir no preço, diz Bolsonaro

Para impedir uma variação muito grande no preço na bomba, o governo pode usar a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os combustíveis. “A Cide é um imposto que foi criado para ser usado nesse momento de barril barato e inflação baixa, que a gente está vivendo”, afirma Adriano Pires.

Sérgio Araujo também acredita nesta possibilidade. “[A cobrança da Cide é] para que o preço não caia e, depois de resolvido o conflito, tenha que subir. Essa instabilidade, essa gangorra nos preços dos combustíveis, não é salutar. Dificulta todo o planejamento das empresas, dificulta precificação do frete. Tem alguns inconvenientes”, relata.

Porém, por meio das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro negou que o governo estude usar este mecanismo para segurar os preços.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, também negou que haja previsão de aumento da Cide. Ele disse que instrumentos podem ser aplicados no futuro, porém, “não no caso particular do que está ocorrendo no dia de hoje”.

Por que petróleo caiu?

As cotações do petróleo caíram quase 30% nesta segunda-feira, a queda mais expressiva desde a guerra do Golfo em 1991.

O surto de coronavírus tem reduzido a procura por petróleo no mercado global, afetando o preço da matéria-prima. Na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e seus sócios, liderados pela Rússia, não chegaram a um acordo para reduzir a produção e tentar evitar a queda nos preços do produto.

Em retaliação, a Arábia Saudita anunciou que deve aumentar a produção e oferecer descontos em relação ao preço do petróleo bruto em alguns mercados.

Ricardo Marchesan
Com informações de agências de notícias


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