Etanol: Mercado: Gasolina

Preço dos combustíveis passa a ter correlação com mercado internacional, diz FCStone

Consultoria acredita que as correlações já são mais do que suficientes para o desenvolvimento de estratégia de proteção com uso de mercados futuros


INTL FCStone - 03 ago 2017 - 08:51

Após um mês em vigor da política de ajuste diário dos preços dos combustíveis pela Petrobras, a consultoria INTL FCStone acredita que a estatal passa a seguir o mercado internacional no curto prazo. Segundo a companhia, os preços de diesel e gasolina no Brasil estão correlacionados com os movimentos mundiais da cadeia do petróleo.

Isso significa, ainda conforme a FCStone, que a Petrobras estaria comprometida em atuar em um contexto de livre mercado e a seguir os principais contratos de referência internacional para os combustíveis. “Consumidores estão agora diariamente expostos a oscilação do mercado internacional. O preço não é mais dado e igual para todos, e a decisão de onde e quando comprar passa a ser chave”, explica o chefe de petróleo, gás e derivados da INTL FCStone do Brasil, Thadeu Silva.

Segundo Silva, as correlações já são mais do que suficientes para o desenvolvimento de estratégia de proteção contra a volatilidade dos preços com uso de mercados futuros e instrumentos de hedge.

Assim, a FCStone realizou um estudo comparativo entre os preços praticados pela estatal e os principais contratos globais de referência para comercialização de petróleo e derivados. Os resultados apontam que os preços domésticos da Gasolina A – antes da adição do etanol – têm maior conexão com o combustível na Europa. A referência do noroeste do velho continente (Gasolina NWE) apresentou perto de 90% de correlação no período. “No primeiro semestre de 2017, perto de 60% das importações de gasolina vieram da Europa e em 2016 mais de 70% tiveram a mesma origem”, observa Silva.

A gasolina brasileira também tem boa correlação com as duas referências de petróleo (WTI e Brent) que, assim como a gasolina na Europa, poderiam ser utilizados para fixação dos preços futuros.

preco refinarias mercado internacional 030817

Já o diesel apresenta maior conexão com o mercado americano, principal origem das importações brasileiras. Ambos os tipos do combustível (S10 e S500) apresentam correlação muito forte com o contrato financeiro do combustível negociado em Nova Iorque (ULSD – diesel com baixo conteúdo de enxofre, na sigla em inglês).

“O mais importante a ser verificado na análise é que as variações diárias em relação ao prêmio médio em cada praça, para diesel e gasolina, são bastante modestas e seguem todas a mesma direção”, explica Silva. Nesse sentido, o preço diário da gasolina ficou em apenas três oportunidades com diferença de mais de 2 centavos em relação ao prêmio médio do mês em cada praça. No caso do diesel, em nenhuma oportunidade essa diferença chegou a 2 centavos e os ajustes diários levam a dispersões sempre abaixo de 1% do preço do produto.

Para realizar esse levantamento, a consultoria afirma que correlacionou os preços médios na refinaria praticados pela estatal com as principais referências internacionais – transformadas em reais. As séries são de preços diários e foram consideradas 22 observações, de 29 de junho a 31 de julho desse ano. Além disso, foram verificadas correlações com contratos de petróleo bruto (WTI e Brent), gasolina (RBOB, CBOB e Gasolina NWE) e diesel (ULSD e Gasoil) em diversas regiões.