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Petrobras reduz preço do óleo diesel em 2,2% nas refinarias

Este é o segundo corte consecutivo após a escalada do início do ano


Folha de S. Paulo - 09 abr 2021 - 13:45

A Petrobras anunciou nesta sexta, 9, um corte de 2,2% no preço do óleo diesel em suas refinarias. É a segunda redução em abril, após a escalada verificada no início de 2021 usada pelo presidente Jair Bolsonaro para justificar a troca no comando da estatal.

O preço da gasolina, que também já foi reduzido em março, permanecerá inalterado.

Segundo a empresa, a partir deste sábado, 10, o preço médio de venda do diesel nas refinarias será de R$ 2,66 por litro, redução de R$ 0,08 por litro em relação à média vigente até esta sexta. O corte acompanha a variação das cotações internacionais e a queda do dólar.

A mudança ocorre em um momento de pressão nos preços diante da perspectiva de aumento do biodiesel, que representa 13% da mistura vendida nos postos. Além disso, em maio acaba o período de isenção de impostos federais sobre o combustível, que também tende a pressionar o preço final.

Uma terceira fonte de pressão vem da carga tributária: pela segunda vez após a isenção de impostos federais sobre o preço do óleo diesel, estados elevaram no início do mês o preço de referência para a cobrança de ICMS sobre o combustível. Desta vez, a alta ocorreu em 19 estados e no Distrito Federal.

A Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) diz que, mantidas as condições de preço do último leilão de biodiesel iniciado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o biocombustível passaria a contribuir com R$ 0,67 por litro para o preço de bomba.

Isso porque as ofertas de venda no leilão chegaram a R$ 7,50 por litro, quase R$ 3 a mais do que o valor médio do último leilão, em fevereiro – valor que já representava alta de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Diante do preço elevado, a ANP suspendeu o leilão e o governo agora estuda reduzir o percentual de mistura obrigatória para tentar conter a escalada.

“Estamos fazendo um alerta ao governo sobre as altas de preços do diesel que estão por vir, principalmente com o retorno da cobrança do PIS/Cofins do diesel”, disse em nota o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda.

A alta do diesel é um dos fatores que contribuíram para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março ter atingido o maior patamar desde 2015, 0,93%. Em 12 meses, a inflação chegou a 6,10%, valor superior ao teto da meta para 2021, de 5,25%.

Em nota, a Petrobras diz que “é importante reforçar que os preços praticados pela Petrobras buscam equilíbrio com o mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo”.

“Os reajustes são realizados a qualquer tempo, sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise do ambiente externo. Isso possibilita a companhia competir de maneira mais eficiente e flexível e evita o repasse imediato da volatilidade externa para os preços internos”, completou a estatal.

Na quinta, 8, Bolsonaro voltou a criticar a empresa, classificando como “inadmissível” reajuste de 39% no preço do gás natural vendido às distribuidoras de gás canalizado. Mais uma vez, a declaração foi vista pelo mercado como sinal de que o governo pretende intervir na política comercial da empresa.

Indicado por Bolsonaro, o general Joaquim Silva e Luna deve ter seu nome ratificado em assembleia de acionistas na próxima segunda, 12.

Na assembleia, acionistas minoritários da empresa vão tentar reduzir o poder do governo no conselho de administração da estatal, em uma ofensiva para limitar a possibilidade de interferência política na gestão da empresa.

A ideia é tentar emplacar ao menos dois nomes independentes nas vagas do conselho reservadas ao acionista majoritário, dobrando o número de representantes de minoritários no colegiado.

Nicola Pamplona

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